Trabalhadores bissau-guineenses denunciam reforma da administração

Bissau- Guiné-Bissau (PANA) -- A União Nacional dos Trabalhadores da Guiné-Bissau (UNTG) denunciou a "reforma arbitrária da administração pública" levada a cabo pelo governo para despedir cerca de três mil funcionários.
O secretário-geral da UNTG Desejado Lima da Costa, que falava quarta- feira em Bissau durante uma conferência de imprensa, disse que esta operação foi lançada há dois meses sem nenhuma informação prévia às organizações sindicais do país.
"É neste quadro que os funcionários têm três meses de salários em atraso sem nenhuma perspectiva de regularização", denunciou o responsável sindical, acrescentando que "estas medidas desumanas não agradam à UNTG".
Para o sindicalista, estas medidas visam contratar outros funcionários sem o menor respeito das normas de convergência da União Económica Monetária Oeste-Africana (UEMOA), da qual a Guiné-Bissau é membro, dos princípios de parceria do Banco Mundial (BM) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
"A isso vem acrescentar-se a recusa total dum diálogo construtivo da parte do governo com os parceiros sociais e com os principais protagonistas da cena política e económica", sublinhou.
O secretário-geral da UNTG denunciou igualmente a política do governo, acusando-o de violar os direitos sindicais mais legítimos tendo como corolário despedimentos arbitrários dos líderes sindicais ou a manipulação do aparelho judiciário.
"A baixa dos rendimentos no seio das famílias rurais e o aumento do custo de vida nos centros urbanos revelaram-se desastrosos para a economia do país", acrescentou Desejado Lima da Costa, denunciando que a reconciliação nacional e a luta contra a pobreza e a corrupção não fazem parte da prioridade do governo do primeiro-ministro Aristides Gomes.

01 Junho 2006 10:21:00


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