Suíça proíbe entrada de políticos quenianos no seu território

Nairobi- Quénia (PANA) -- A Suíça decidiu impor restrições às deslocações ao seu território dos líderes políticos quenianos que comprometem o êxito dos esforços de mediação da União Africana (UA) para pôr termo à crise pós-eleitoral prevalecente no Quénia, soube-se quarta-feira junto da representação da Confederação Helvética em Nairobi.
"A Suíça apoia os esforços de mediação do antigo Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, e do painel de eminentes personalidades africanas mandatadas pela UA", indicou a Embaixada da Suíça num comunicado divulgado quarta-feira em Nairobi.
A ameaça da Suíça de restringir as deslocações de algumas autoridades quenianas ao seu território intervém após a agitação suscitada entre os dirigentes do Partido da Unidade Nacional (PNU), no poder, pela reunião de informação de Kofi Annan com parlamentares quenianos.
Os responsáveis do partido no poder acusam o ex-Secretário-Geral de ONU de fazer afirmações que não foram objecto dum acordo prévio.
A ministra queniana da Justiça, Martha Karua, que lidera a equipa de negociadores do PNU, acusou terça-feira Kofi Annan de enfraquecer a posição do Governo e de o ter colocado numa situação comprometedora.
Nota-se que as negociações vão realizar-se doravante num local guardado secreto.
"A Suíça considera as negociações em curso como o único meio de resolver a crise na qual o Quénia está mergulhado após o anúncio dos resultados contestados das eleições presidenciais de 27 de Dezembro último", menciona a representação do Governo Helvético no seu comunicado.
"Se os esforços de mediação não conseguirem resolver a crise, a Suíça projectará então tomar medidas apropriadas, nomeadamente ao restringir o acesso ao seu território a indivíduos julgados responsáveis pelo fracasso do processo ou acusados de ter comprometido a democracia no Quénia suscitando ou implicando-se em actos de violência", defende ainda a Embaixada Suíça.
O Canadá e os Estados Unidos fazem parte das primeiras capitais ocidentais que anunciaram a imposição de restrições às deslocações dos políticos quenianos implicados nas violências pós-eleitorais neste país da África Oriental.
Mas, Kabando wa Kabando, um político queniano aliado ao PNU, protestou violentamente contra a interdição de viagem decretada pelos Estados Unidos contra a sua pessoa pela sua presumível implicação nas actividades das milícias.
"Nada justifica que o embaixador possa acusar-me de participar em assassinatos.
É a prova de que o Governo dos Estados Unidos tem o projecto de reduzir ao silêncio todos os que apoiam o Governo do Presidente Mwai Kibaki.
Trata-se simplesmente de amputação étnica", defendeu-se.
O deputado queniano anunciou depois a sua intenção de processar o embaixador norte-americano por "difamação", mas será preciso para isto que o Ministério queniano dos Negócios Estrangeiros aceite levantar a imunidade das instituições norte-americanas no Quénia para tornar possível a abertura dum tal procedimento judicial.
O Governo norte-americano enviou correspondências similares a nove outros deputados do partido da maioria presidencial e da oposição, uma iniciativa considerada como uma última tentativa para obrigar os políticos a pôr termo aos actos de violência e a oferecer à mediação internacional a possibilidade de a realizar com êxito.
Por outro lado, o presidente da Comissão Eleitoral do Quénia (ECK), Samuel Kivuitu, afirmou quarta-feira que poderá demitir-se no início de Março próximo, quando a auditoria da comissão em curso ser finalizada e forem empreendidos esforços para que as irregularidades potenciais sejam tidas em conta.

14 Fevereiro 2008 13:08:00




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