Sudão suspende operações da ONU em Darfur

Cartum- Sudão (PANA) -- O governo sudanês ordenou as autoridades da sua província ocidental de Darfur a suspender as actividades das Nações Unidas na região, excepto as operações humanitárias do Programa Alimentar Mundial (PAM) e de agências internacionais.
Num comunicado de imprensa divulgado sábado à noite em Cartum, o Ministério sudanês dos Negócios Estrangeiros anunciou ter instruído as autoridades dos três Estados de Darfur para implementar a ordem imediatamente.
Segundo o comunicado, o governo sudanês tomou esta decisão porque a Missão da ONU no Sudão (UNMIS) ultrapassou o seu mandato ao transportar de avião um líder dos movimentos rebeldes de Darfur.
"As autoridades descobriram que um avião da ONU transportou a 24 de Junho um líder dos movimentos armados", acusa o governo sudanês.
Desta forma, adianta, "a UNMIS ultrapassou as suas competências e missões estipuladas num acordo alcançado entre o governo sudanês e as Nações Unidas".
"A suspensão será levantada quando o representante especial do Secretário-Geral da ONU no Sudão clarificar a posição da UNMIS", precisa o comunicado.
Analistas políticos consideram, no entanto, que a medida visa impedir o envolvimento directo da ONU em Darfur.
A UNMIS foi criada no ano passado depois da assinatura pelo governo sudanês e pelos ex-movimentos rebeldes dum acordo de paz em Janeiro de 2005.
Encarregue de monitorar a implementação do acordo de paz, a UNMIS está igualmente envolvida em actividades humanitárias e no apoio logístico à missão africana de manutenção de paz em Darfur.
A tensão surgiu entre o governo sudanês e a UNMIS quando a missão onusina anunciou o seu apoio à substituição da missão de paz africana em Darfur pela ONU.
O Secretário-Geral da ONU Kofi Annan disse que iria encontrar-se com o Presidente sudanês Omar Hassan El-Bashir durante a cimeira da União Africana (UA) prevista para a próxima semana em Banjul (Gâmbia) para exigir a substituição da missão africana pelas Nações Unidas apesar da sua persistente oposição.
O Presidente sudanês acusou terça-feira grupos judeus de pressionar para o envio da missão da ONU e prometeu nunca permitir a entrada de capacetes azuis das Nações Unidas na região onde três anos de guerra causaram a morte de mais de 200 mil pessoas e obrigaram dois milhões de outras a abandonar as suas casas.
O governo sudanês quer que as tropas da UA permaneçam em Darfur, alegando que os capacetes azuis da ONU representariam uma ocupação e intervenção estrangeira, lembrando ao país o seu passado colonial.

25 Junho 2006 10:54:00




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