Sudão pede protecção da UA contra influências externas negativas

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- O Sudão pediu a protecção da União Africana (UA) contra as "influências externas negativas" e o isolamento de que é alvo por parte da comunidade internacional.
O governo sudanês pediu ainda que a resolução da crise de Darfur fosse inteiramente confiada à UA.
Durante uma reunião de informação com o Conselho de Paz e Segurança da UA (PSC), em Addis Abeba, o ministro sudanês dos Negócios Estrangeiros, Mustafa Osman, felicitou a Comissão Africana da UA pelo prosseguimento dos seus esforços com vista a uma solução duradoura para a crise de Darfur.
"Precisamos de uma cooperação absoluta com a UA sobre esta questão.
Estamos prontos a resolver este problema no contexto africano.
África colocou-se ao lado da Líbia e do Zimbabwe durante o seu isolamento por uma maior parte da comunidade internacional", afirmou.
De acordo com o chefe da diplomacia sudanesa, o seu país precisa de ajuda para restabelecer a segurança e estabilidade no seu território, "vítima infelizmente do abuso da ingerência por parte de certos vizinhos", declarou Osman aos 15 membros do PSC.
Enconrajou a UA a ajudar o Sudão e o Tchad a desdobrarem tropas mistas ao longo das suas fronteiras comuns e anunciou o projecto de uma reunião em Geneina, no oeste de Darfur, a 10 de Julho, entre o Presidente sudanês Omar el Beshir e o seu homólogo tchadiano Idriss Deby para elaborar as modalidades do estabelecimento de uma força fronteiriça.
O Sudão pediu que a UA enviasse uma mensagem forte ao Movimento de Libertação do Sudão (SLM) e ao Movimento Justiça e Igualdade (JEM) para que respeitassem o cessar-fogo de 42 dias renováveis assinado entre os dois e o governo a 08 de Abril de 2004 em N'Djamena, no Tchad.
Os rebeldes devem ser obrigados a empenhar-se numa resolução política desta crise, em vez da via militar, disse.
"Se formos bem sucedidos em Darfur enquanto africanos, daremos um exemplo das nossas capacidades de resolver os nossos conflitos", salientou o diplomata sudanês.
Reiterou a confiança do seu governo na sabedoria do presidente da Comissão da UA, Alpha Omar Konaré, acrescentando que Cartum se comprometia a garantir a segurança e a protecção de todos os seus cidadãos.
Osman declarou ainda que o seu país estava igualmente empenhado nas negociações actualmente em curso no Tchad sob os auspícios da UA, e que tomaria parte na reunião de 15 de Julho, em Addis Abeba, entre Cartum e os grupos rebeldes.
"Trata-se do desdobramento de tropas estrangeiras em Darfur para proteger os civis.
Por outro lado, intervenções eventuais do Conselho de Segurança da ONU foram evocadas.
Estas duas opções não poderão ser aplicadas se o governo sudanês não cooperar ou se a situação se deteriorar", indicou.
Mas sublinhou que o desdobramento de tropas estrangeiras em Darfur poderia ser interpretado como uma ocupação, porquanto "os rebeldes constituem apenas 10 por cento da população (estimada em 27,4 milhões de habitantes)".
Isto poderá destabilizar toda a região, declarou, manifestando a sua preferência pelas decisões do PSC e suas estratégias de intervenção às da ONU.
Osman indicou não ser preciso enfatizar a protecção e a segurança dos observadores em detrimento das populações locais.
"Não queremos que a população de Darfur conclua que África se preocupa mais com a protecção destes observadores que com a dos civis", referiu.
Sublinhou que a protecção dos observadores vinha estipulada no acordo entre o governo do Sudão e a UA.
Citou o exemplo das Montanhas Nuba, no sul do Sudão, onde apenas 151 observadores estão estacionados sem outra potecção que a garantida pelo governo do Sudão.

07 يوليو 2004 21:49:00




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