Sudão duvida de pertinência de substituição da UA pela ONU em Darfur

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- O ministro sudanês dos Negócios Estrangeiros Lam Akol expressou sérias reservas em relação à proposta da substituição da Missão da União Africana no Sudão (MIAS) em Darfur (oeste sudanês) pelas Nações Unidas, após a assinatura a 5 de Maio em Abuja (Nigéria) do acordo de paz pelas partes sudanesas em conflito.
Falando no termo duma reunião do Conselho de Paz e Segurança (CPS) da UA, Akol indicou que o acordo de paz sobre Darfur contém disposições sobre os dispositivos de segurança mas não alude a qualquer papel duma força onusina de manutenção da paz nesta conturbada região sudanesa.
O chefe da diplomacia sudanesa, cuja declaração foi colocada ao dispor da imprensa no termo da 51ª reunião do CPS em Addis Abeba, aludia a um acordo assinado a 5 de Maio em Abuja (Nigéria) pelos representantes do governo sudanês e do Exército/Movimento de Libertação do Sudão (SLM/A).
Tal acordo sanciona as negociações de paz em que participaram todas as partes sudanesas implicadas no conflito sangrento de Darfur iniciada em Fevereiro de 2003.
"Porque a presença duma força onusina em Darfur não inclusa no acordo de paz sobre Darfur ? Se a ONU solicita um papel para as suas forças em Darfur, tal questão só pode ser razoavelmente discutida entre a ONU, o governo sudanês e os signatários do acordo de Abuja", defendeu.
Akol indicou que as autoridades sudanesas estão de acordo com o apelo do presidente da Comissão da UA (Alpha Oumar Konaré) para o reforço da Missão Africana no Sudão (MIAS), "particularmente à luz das tarefas suplementares incumbidas à UA em virtude de tal acordo".
Para o chefe da diplomacia sudanesa, a assinatura deste acordo criou um novo clima no local que tira da questão de substituição da MIAS pela ONU em Darfur a sua pertinência.
"Um exame do acordo de Abuja revela que a UA é a única parte estrangeira encarregue da missão de controlo da mesma aplicação dos dispositivos de segurança em Darfur", sublinhou Akol.
Embora o Sudão tenha reafirmado a sua vontade de dialogar com a ONU no tocante ao seu papel, tal como é abalisado após a assinatiura do acordo de Abuja, esta posição contrasta nitidamente com as discussões em curso sobre a substituição da MIAS em Darfur pela ONU", sublinhou o ministro sudanês dos Negócios Estrangeios.
Quanto aos laços diplomáticos tensos entre o Sudão e o Tchad, o governante sudanês declarou-se optimista, precisamente em relação ao impacto positivo deste acordo sobre as relações entre os dois países em conflito.
A despeito das medidas tomadas pela Tchad no respeitante ao Sudão, Akol recordou que o seu país deu prova duma máxima moderação e não reagiu.

15 Maio 2006 19:39:00




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