Sudão desmente genocídio em Darfur

Cartum- Sudão (PANA) -- O Sudão desmentiu segunda-feira a ocorrência de quaisquer actos de genocídio ou de limpeza étnica na conturbada província ocidental de Darfur, como insinuado por alguns círculos da comunidade internacional.
Darfur vive uma guerra civil desde Fevereiro de 2003 quando dois grupos rebeldes recorreram às armas para pôr termo ao que consideram de "marginalização" da população de Darfur pelo governo sudanês.
O ministro sudanês da Justiça, Mohammed Ali el-Mardi, reafirmou a determinação do seu governo de fazer julgar todas as pessoas consideradas culpadas de crimes de guerra na província.
Ali el-Mardi falava num encontro com o conselheiro especial da ONU sobre a prevenção de genocídio, Juan Mendez, que, segundo a agência sudanesa de notícias (SUNA), teria criticado o julgamento em curso de pessoas suspeitas de cometer crimes contra a humanidade em Darfur.
O Sudão criou em Junho passado um tribunal especial para o efeito  em resposta a exigências da ONU para entregar à Justiça internacional os indivíduos acusados de crimes de guerra em Darfur.
Porém, o novo tribunal criado pelas autoridades sudanesas não fez o suficiente até agora, na opinião da comunidade internacional.
O ministro sudanês apelou às organizações internacionais para reconhecer o papel desempenhado pelo seu governo para restabelecer a segurança, a estabilidade e a paz em Darfur, ao invés de dar "sinais negativos" aos movimentos rebeldes.
O governo sudanês e dois grupos rebeldes de Darfur estão engajados em negociações de paz em Abuja, na Nigéria, visando encontrar uma solução política para o conflito.
O funcionário onusino descreveu a actual situação em Darfur como   "perturbadora" e marcada pela espiral de violência e por uma perda de confiança das pessoas deslocadas na política sudanesa ou no sistema judiciário do país.
Mendez explicou que a sua missão não era para decidir se existe ou não genocídio em Darfur mas para informar o secretário-geral da ONU sobre a evolução dos acontecimentos nos últimos 12 meses.
Ele acusou a Justiça sudanesa de não fazer o suficiente para punir as pessoas suspeitas de envolvimento na violência de Darfur.
Apelou às autoridades do país para cooperar com o Tribunal Internacional de Haia, sem pôr em causa a soberania nacional.
"É no interesse do goveno sudanês cooperar com o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), permitindo o acesso dos seus investigadores aos documentos relativos ao caso", disse.
O Sudão recusou-se a entregar qualquer suspeito de Darfur ao TIJ apesar das exigências da ONU.
O governo sudanês é acusado de responder com uma campanha de contra-insurreição em que a milícia étnica árabe "Janjawid" cometeu alegadamente muitos abusos contra os africanos negros.
Mendez sublinhou a necessidade de o governo sudanês continuar o diálogo com os diferentes grupos sociais de Darfur para alcançar uma solução abrangente para a crise nesta região.
Os rebeldes do Movimento de Libertação do Sudão (SLM) e do Movimento para a Justiça e Igualdade (JEM), que alegam marginalização da região, lançaram no início de 2003 uma revolta contra o governo sudanês.

27 Setembro 2005 19:28:00




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