Sudão contra envio de forças da ONU a Darfur

Kigali- Ruanda (PANA) -- O governo sudanês vai opor-se categoricamente ao desdobramento das forças de manutenção da paz das Nações Unidas que vão substituir as da União Africana (UA) posicionadas Darfur (oeste do Sudão), indicou um diplomata sudanês.
Em entrevista ao diário "The New Times" divulgado em Kigali, o diplomata sudanês Ismail Dahab Mohamed, instalado em Kampala (Uganda), sublinhou que o seu país não fechará os olhos diante deste género de manobra aceitando o desdobramento das forças onusinas de manutenção da paz em Darfur.
"O governo de Cartum vai doravante mobilizar a União Africana para manifestar a sua solidariedade com vista a opor-se a qualquer eventual decisão de envio de capacetes azuis da ONU a Darfur", disse.
"Mantemos relações de boa vizinhança com o Ruanda e com o Burundi, dois países que têm contingentes em Darfur", indicou Dahab, alegando que não há nenhuma razão tangível que deverá obrigar a ONU a intervir nesta província mortificada por conflitos fratricidas inter-étnicos.
Segundo ele, ao constituir uma frente comum com a UA será possível intervir em Darfur para bloquear a enventual chegada dos capacetes azuis a esta região pois as forças da União Africana precisam apenas dum apoio financeiro e logístico para cumprir com a sua missão.
"O governo sudanês considera que a ONU não é uma solução para pôr termo a estes conflitos mortíferos", acrescentou Dahab, persuadido de que a única alternativa será prolongar o mandato das forças da União Africana que demonstraram as suas capacidades no restabelecimento da estabilidade na região.
Para além do Ruanda, a UA aceitou reforçar a sua missão de 150 observadores encarregues de controlar o cessar-fogo em Darfur e apoiada por uma força de protecção de 300 soldados.
O Ruanda prevê enviar no início de Julho próximo um contingente suplementar de 680 soldados que vão reforçar a força de manutenção da paz da União Africana nesta região.
A organização continental prevê desdobrar uma força militar alargada de mais de três mil soldados cujo mandato será garantir a protecção das operações humanitárias e prevenir ataques dos grupos armados contra as populações civis.
Um outro grupo constituído por três batalhões das Forças de Defesa do Ruanda (RDF) sob missão da União Africana (UA) opera há quatro meses em Darfur.
De acordo com organismos humanitários que operam na região, o conflito de Darfur, desencadeado em 2003, provocou vários danos e fez vários milhares de refugiados sem abrigo e cerca de 300 mil mortos.
As Nações Unidas exigiram as autoridades sudanesas um controlo mais estreito dos rebeldes Janjawids, acusando esta milícia árabe, que se desloca de cavalo ou camelo, de cometer atrocidades contra civis inocentes, um acto qualificado de genocídio por alguns observadores.

30 Junho 2006 10:02:00




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