Situação da segurança alimentar em atraso no continente africano

Addis Abeba, Etiópia (PANA) - África continua atrasada em segurança alimentar apesar dos progressos registados nas taxas de crescimento no continente, segundo os documentos de base da oitava reunião do Comité sobre a Segurança Alimentar iniciada segunda-feira em Addis Abeba, capital etíope e sede da União Africana (UA).

"Apesar dos bons resultados caraterizados por taxas de crescimento económico elevadas durante a última década, África não fez progressos sensíveis em alguns grandes desafios que consistem, nomeadamente, em garantir a segurança alimentar e em criar empregos para os jovens, grupo da população em aumento constante", deploram os autores destes documentos a que a PANA teve acesso.

De 2011 a 2012, a situação da segurança alimentar não evoluiu muito no continente e, apesar dos casos encorajantes do Gana e do Malawi, dois países reconhecidos como tendo atingido a segurança alimentar graças às suas políticas e aos seus resultados agrícolas, "esta situação continuou inalterada  na maaioria dos paíss africanos, ou mesmo se agravou", sublinham os mesmos documentos.

Por outro lado, prosseguem, África ainda se ressente da crise dos preços alimentares de 2007-2008 que veio sublinhar a necessidade de se desenvolver verdadeiramente os sistemas alimentares e agrícolas da região.

Para o efeito, numerosos países africanos alinharam as suas estratégias sobre o processo do Programa Pormenorizado para o Desenvolvimento da Agricultura Africana (PDDAA) cuja aplicação beneficia de engajamento e apoio renovados desde 2008.

Muitos países instauraram igualmente planos e estratégias agrícolas nacionais no quadro dos quais prioridades de segurança alimentar são definidas para investimento e plano de apoio dos poderes públicos.

Segundo o relatório sobre o índice da fome divulgado pelo Instituto Internacional de Pesquisa sobre as Políticas Alimentares (IFPRI), no período de 1990 a 2011, este indicador baixou em 18 porcento na África Subsariana, ou seja nitidamente menos que na Ásia do Sul (25 porcento) e na região Médio Oriente/África do Norte (39 porcento).

De igual modo, o número de pessoas sub-alimentadas em África aumentou em 52,7 milhões entre 1990-1992 e 2006-2008 para atingir 239 milhões em 2010-2012.

Segundo os peritos, vários países africanos fizeram reais progressos, mas o problema persiste na maioria dos países do continente, nomeadamente na África Oriental, que registava 73 porcento do total estimado das pessoas que sofrem da fome no continente em 2006-2008.

-0- PANA IT/TBM/IBA/MAR/IZ 20nov2012

20 Novembro 2012 18:36:44


xhtml CSS