SG da ONU acusa governo e rebeldes sudaneses de inércia

Cartum- Sudão (PANA) -- O Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, acusou as autoridades sudanesas e os rebeldes de Darfur, no oeste do país, de nada terem feito em prol de uma solução política para o conflito que os divide.
"O governo de Cartum e os rebeldes não conseguiram aproveitar a situação criada pela assinatura em Janeiro do acordo de paz pondo termo à guerra no sul do Sudão", disse Annan no seu último relatório sobre o conflito em Darfur.
Porém, reconheceu ter havido uma diminuição nos confrontos entre as duas partes durante o mês passado.
O governo sudanês e os rebeldes SPLA/M (Exército/Movimento de Libertação do Sudão) assinaram um acordo de paz a 9 de Janeiro de 2005 em Nairobi, Quénia, pondo termo a mais de 20 anos de guerra entre o norte islâmico e o sul católico e animista.
Segundo Annan, se o governo declarou por várias vezes a sua vontade de negociar com os rebeldes de Darfur, as milícias Djandjawid não pararam de atacar os civis e as autoridades não agiram de forma tempestiva ou decisiva para acabar com a impunidade dos abusos de direitos humanos.
"A insolência dos Djanjawid, tanto em relação a roubos e ataques contra os civis como a acções armadas é uma consequência directa da inacção do governo de controlar ou disarmar estes grupos", observou Annan.
Por outro lado, Annan lamentou que "as forças rebeldes continuem a perseguir os trabalhadores humanitários, a recusar-se a revelar as suas posições à força de fiscalização do cessar-fogo da União Africana (UA) e a disparar contra os helicópteros pertencentes a esta organização panafricana e ao Programa Alimentar Mundial (PAM)".
Acrescentou que o aumento das divisões políticas no seio dos grupos rebeldes dificulta a condução de negociações sérias.
Annan apelou para o reforço da supervisão da UA "neste período de calma relativa" para evitar ou reduzir futuros confrontos.
O governo e as forças rebeldes pretendem controlar mais áreas antes das negociações marcadas para este mês na Nigéria, disse alertando que a situação de segurança continua frágil, apesar da redução das acções militares em Fevereiro em relação aos dois meses anteriores.
  "O reforço da missão da UA em Darfur poderá permitir separar fisicamente as forças governamentais e os grupos rebeldes, o que pode aumentar as chances de estabilidade e reduzir os riscos de ataques pelas milícias", recomendou Annan no seu relatório.

14 Março 2005 17:57:00




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