SG da Francofonia indignado contra repressão na Guiné-Conakry

Dakar- Senegal (PANA) -- O Secretário-Geral da Organização Internacional da Francofonia (OIF), Abdou Diouf, declarou-se "indignado" pela repressão da manifestação de segunda-feira em Conakry, na Guiné, e denunciou o "recurso à força cega e as numerosas violações dos direitos e das liberdades" neste país.
Num comunicado transmitido quarta-feira à PANA, o antigo chefe de Estado senegalês exprima "toda a sua indignação e a sua firme condenação da repressão exercida contra civis não armados bem como as detenções arbitrárias de opositores e cidadãos, exigindo a libertação "imediata e sem condição" destes últimos.
Diouf lança "um apelo urgente" à Junta no poder neste país desde a morte do Presidente Lansana Conté, em Dezembro de 2008, e em particular ao presidente do Conselho Nacional de Democracia e Desenvolvimento (CNDD), o capitão Moussa Dadis Camara, "para que cessem imediatamente as repressões", Exortou os militares a conformar-se aos compromissos assumidos publicamente desde o golpe de Estado.
Depois de tomar o poder, os militares conakry-guineenses comprometeram-se a organizar, em Janeiro de 2010, eleições presidenciais nas quais não deviam participar o capitão Moussa Dadis Camara, os membros do CNDD, o primeiro-ministro e os membros do actual Governo.
O comunicado da OIF lembra, além disso, que a Guiné-Conakry subscreveu compromissos como as declarações de Bamako (Mali) e de Saint Boniface (Canadá) que obrigam cada Estado-membro da OIF a respeitar plenamente os direitos humanos e os princípios duma vida política pacífica, bem como a assumir a sua responsabilidade de proteger as populações que vivem no seu território.
Diouf reafirma a determinação da OIF a fazer prevalecer estes princípios e este procedimentoe enquanto elementos essenciais da continuação do seu acompanhamento do processo de transição, incluindo o alargamento das medidas de sanção já tomadas contra a Guiné- Conakry, em concertação com os demais membros da comunidade internacional e do Grupo de Contacto Internacional sobre a Guiné.
Segunda-feira, um comício popular num estádio de Conakry foi dispersado por uma violenta repressão das forças da ordem guineense, fazendo mais de 100 mortos (200 segundo as organizações de direitos humanos sediadas no país) e vários feridos, entre os quais os líderes partidários Cellou Dalein Diallo e Sidiya Touré - ambos antigos primeiros-ministros - e Jean-Marie Doré.
Os manifestantes desejavam denunciar uma eventual candidatura às eleições presidenciais de Janeiro próximo do capitão Moussa Dadis Camara.

01 Outubro 2009 20:52:00




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