Rússia nega ligação entre armas vendidas ao Sudão e crise em Darfur

Cartum- Sudão (PANA) -- A Rússia negou qualquer ligação entre os aviões de guerra que vendeu ao Sudão e a escalada do conflito na conturbada região de Darfur.
Citando sábado o embaixador da Rússia na ONU, Andrei Denazoff, o Centro de Imprensa do Sudão (SMC) informa que o envio de aviões de caça ao Sudão se inscreve no quadro dum acordo assinado entre os dois países em 2001.
Um oficial norte-americano acusou a Rússia de fornecer ao Sudão aviões de caça em pleno conflito de Darfur.
A Amnistia Internacional, sediada em Londres, criticou igualmente a Rússia por ter enviado aviões de guerra ao Sudão num momento em que Cartum é alvo duma pressão internacional devido ao seu apoio às milícias árabes Janjaweeds, acusadas de múltiplos atentados contra os direitos humanos num conflito que já fez cerca de 30 mil mortos e um milhão de deslocados.
Justificando a sua venda de armas ao Sudão, os russos sustentaram que estas transacções não violam nenhum compromisso internacional.
Fontes diplomáticas indicam que, em virtude do contrato que liga os dois países, 10 aviões de caça "MiG-29 SE" e dois  "MiG-19 UB" deverão ser enviados ao Sudão até Dezembro próximo.
Por outro lado, o embaixador do Sudão em Moscovo, Chol Deng Alak, citado pelo SMC, salientou que os novos MiG não seriam utilizados para atacar as populações negras de Darfur, mas foram comprados para impedir que o Sudão se tornasse "num alvo fácil" para outras Nações.
"Estamos muito satisfeitos com esta encomenda.
Precisamos destes aparelhos para protegermos os nossos interesses económicos", acrescentou Alak.
Cartum é alvo duma pressão internacional crescente por parte da comunidade internacional, que exige a neutralização das milícias Janjaweeds.

21 Agosto 2004 13:18:00




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