Rumo da mulher africana pouco evocada na cimeira da UA, dizem militantes

Addis Abeba, Etiópia (PANA) –  A Cimeira da União Africana sobre os "valores partilhados" dá pouca importância ao rumo das mulheres, por não ter ressaltado a proteção das mulheres em caso de conflito, muito menos da necessidade de se criar um ambiente mais favorável à sua educação, declararam segunda-feira em Addis Abeba militantes de primeiro plano da condição da mulher africana.

Elas indicaram que "abordagens especificamente femininas" sobre a necessidade de melhorar a qualidade da educação das crianças, a proteção das mulheres em caso de conflito e a necessidade de melhorar a saúde das mulheres em África, não são realmente refletidas pelo tema sobre os "valores partilhados" da cimeira deste ano.

"Os dirigentes africanos reúnem-se para discutir sobre os valores partilhados, no entanto não há nenhuma mulher nesta cimeira. Não é uma razão para que a cimeira não discuta sobre os problemas das mulheres. Tem de preencher este vazio com outros meios", disse à PANA Gertrude Mongela, a antiga presidente do Parlamento Panafricano.

A rede "Mulheres África Solidariedade" (FAS), que coordenou uma reunião de várias organizações internacionais da sociedade civil, emitiu dúvidas no que diz respeito ao lugar das preocupações das mulheres na agenda da cimeira.

"A cimeira só se dotou duma voz feminina. Será que as visões comuns são para as mulheres africanas ? Será que os assuntos evocados dizem respeito às mulheres ? Sabemos que a Côte d'Ivoire é um lugar em que os direitos das mulheres são violados, onde a questão dos direitos das mulheres recua", disse Bineta Diop, diretora executiva da FAS.

Ela acrescentou que os países africanos não se conformaram com os diversos acordos internacionais sobre a proteção das mulheres e que se pergunta se "as mulheres têm algo a ver com estes valores partilhados.

"Temos o costume de dizer que protegemos as mulheres, dizemos sempre que impedimos as violências contra as mulheres", recordou.

A ex-ministra finlandesa da Defesa, Elizabeth Rehn, disse que as mulheres passaram do simples estatuto de alvos nas guerras e conflitos ao de "tática de guerra" pois, disse,  são  alvos de grupos armados, de milícias e de unidades paramilitares como era o caso na República Democrática do Congo.

"Na RDC, as mulheres alvos dos violadores não querem ser consideradas como vítimas, mas como sobreviventes. O mais duro é que as que foram violentadas são também estigmatizadas. O que parece mais brutal do que a própria violação", disse Rehn que se ocupa doravante da condição feminina na Organização das Nações Unidas (ONU).

Ela achou necessário que as autoridades trabalhem no problema da violação e da estigmatização.

As militantes dos direitos da mulher, reunidas em Addis Abeba para a campanha "Género Está na Minha Agenda (GIMAC) organizada à margem da cimeira, desejam que a questão da proteção das mulheres em caso de conflito se torne numa prioridade.

"O fardo mais pesado para as mulheres é que a maioria dentre elas não estudaram suficientemente. É a razão pela qual, na Côte d'Ivoire e noutros lugares em África, apenas  se preocupam com a educação dos seus filhos", disse Salimata Porquet, uma militante ivoiriense.

"As mulheres são vulneráveis. O grupo dos 15 está aqui para alertar e dizer que os direitos das mulheres são violados", concluiu.

-0- PANA AO/VAO/FJG/CJB/DD    25jan2011

25 Janeiro 2011 20:08:31




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