Revolta de comericiantes tchadianos em Bangui faz manchete

Bangui- R.
Centro-Africana (PANA)
-- A zanga dos comerciantes tchadianos após a morte de um dos seus, abatido por um polícia na sequência de um controlo de identidade, faz a manchete em jornais publicados esta semana na Répública Centro-Africana (RCA).
"Quilómetro 5: os comerciantes exasperados", intitula o diário o L'Hirondelle", na manchete da sua publicação de 25 de Maio, onde se pode ver, diante da porta feichada com ferros, dois homens armados e fardados a enfrentarem uma multidão de pessoas vestidas de Djellaba (túnica do povo magrebino), das quais três armadas de punhal e de espingarda de assalto de tipo AK 47.
Os dois campos estão separados por uma cortina de fumo proveniente de um pneu aceso e por muitos artefactos que cobriam a rua.
O jornal noticia que "as grandes boutiques dos comerciantes tchadianos estavam encerradas" segunda-feira 24 de Maio no Quilómetro 5, bairro popular de Bangui, onde estes últimos queriam "expressar o seu descontentamento em relação ao assassinato do seu compatriota Daoud Mahamat Dougli, que "sofreu atrocidades por se ter recusado a submeter-se ao controlo de rotina efectuado pelos elementos da Polícia centro-africana".
Ao recordar que "após a revolta dos Zakawas que pôs o norte de Bangui em estado de agitação, é agora a vez dos compatriotas comerciantes tchadianos de dar que falar", o jornal concluiu que "A República Centro-Africana é um Estado independente" e que "está fora de questão que estrangeiros se comportem como consquistadores, desafiando os princípios já estabelecidos".
Sob o título "Coabitação conflituosa no Quilómetro 5", o diário Le Démocrate informa que, no mercado do Quilómetro 5, "a coabitação entre os autóctones e os tchadianos sempre foi difícil" de tal modo que, segundo o jornal, "qualquer gesto ou declaração um pouco inconveniente é considerada como um motivo de polémica".
Quanto aos incidentes de domingo 23 de Maio, o Le Démocrate indica que foram originados pela exasperação de "certos comerciantes centro-africanos cansados de pagar o impostos de lugar".
Estes últimos terão interpelado abertamente os colectores de impostos para lhes exigirem o mesmo tratamento que os comericiantes tchadianos, até então isentos de taxas.
Face a esta exigência dos comerciantes centro-africanos, indica o Le Démocrate, um tchadiano terá respondido que "os libertadores (tchadianos) são mestres e que será preciso respeitá-los", o que envenenou a situação.
Desejoso de desdramatizar a situação, o jornal nota que "o assunto está longe de ser confundido com um problema de Estado para Estado" e que a única questão que deve ser resolvida é a de saber "como fazer com que a coabitação entre tchadianos e centro-africanos volte a normalidade".
Nas suas publicações de 26 e 27 de Maio, o diário Le Citoyen aborda a questão da insegurança nas estradas do interior do país, salientando dois ataques de Zaraguinas (assaltantes de estradas) "fortemente armados" e fardados, um outro ocorrido perto de Baoro (392 quilómetros a noroeste de Bangui) que deu mais de 14 milhões de FCFA aos bandidos e um outro perto de Bétoko (544 quilómetros a norte de Bangui) que permitiu aos Zaraguinas roubarem nove milhões de FCFA.
No seu editorial, na página 2 da sua publicação de 27 de maio, o mesmo Le Citoyen comenta a posição expressa pelo Conselho de Paz e Segurança (CPS) da União Africana que "encoraja as autoridades centro-africanas em geral e o Presidente François Bozizé em particular, a trabalharem afincadamente num verdadeiro regresso à legalidade constitucional".
"Assistimos a uma tresposta do pastror à pastora em relação à cadidatura do general Presidente ?", interrogou-se po jornal, para quem "esta nova posição do CPS confirma a opção de ingerência internacional e humana da União Africana que, como se vê, se interessa directamente pela situação na Côte d'Ivoire, Sudão e na República Centro-Africana".
"Assisterons-nous à une autre réponse du berger à la bergère au sujet de la candidature du général président ?", s'interroge le journal, pour qui "cette nouvelle position du CPS confirme l'option d'ingérence internationale et humaine de l'Union africaine, qui, comme on le voit, s'intéresse directement à la situation en Côte d'Ivoire, au Soudan et e, République Centrafricaine".

28 Maio 2004 13:58:00


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