Reuniões nacionais da oposição fazem manchetes da imprensa senegalesa

Dakar- Senegal (PANA) -- As reuniões nacionais promovidas pela oposição e pela sociedade civil senegalesas, desde domingo passado em Dakar, foram esta semana o principal assunto abordado pela imprensa senegalesa.
Na sua edição de segunda-feira, o diário privado Le Matin insistiu na participação "maciça dos hóspedes de marca" destas reuniões, sublinhando que a sala de conferência foi "inteiramente cheia".
"Por causa da falta de assentos, convidados foram obrigados a sentar- se nos degraus ao passo que outros não conseguiram entrar na sala", acrescenta o jornal, estimando que "o primeiro desafio, precisamente o da participação maciça, parece ter sido ultrapassado".
"O apelo para o boicote lançado pelo Presidente senegalês (Abdoulaye) Wade (…) fez da participação em termos de quantidade e qualidade um desafio primordial para os promotores e os participantes nestas sessões", prosseguiu o jornal.
Segundo o Le Matin, "o apelo para o boicote (…) vai manter os partidários dos dois campos (oposição e poder) nas suas posições respectivas agravando assim o aprofundamento do impasse do diálogo político e até social".
Do seu lado, o diário Le Quotidien estima que o lançamento das reuniões nacionais é "um golpe.
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bem sucedido".
"A contra-ofensiva tumultosa lançada sem inteligência nem pertinência pelo poder instituído para impedir as reuniões nacionais, a que se juntam ameaças dum outro género, revelou-se insignificante", escreveu o jornal.
O Le Quotidien defendeu que o que se viu e se ouviu durante o arranque das reuniões, além da incontestável representação maciça de fortes personalidades (…), "arruinou as pequenas receitas (…) do campo presidencial que surpreendentemente ficou com medo".
"(O Presidente) Wade tinha vários preconceitos contra os promotores das reuniões nacionais.
Mas eles já não se justificam após as garantias dadas pelos participantes no tocante ao carácter republicano deste fórum", acrescenta o jornal, salientando "o máximo de responsabilidade" de que deram prova os oradores nos seus discursos.
Esta abordagem é partilhada pelo diário Sud Quotidien que se referiu ao presidente das reuniões da oposição, Amadou Mahtar Mbow (ex- secretário-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que sustentou que "as reuniões nacionais constituem o melhor encontro mas e não são demagógicas nem uma conspiração muito menos um golpe de Estado".
O jornal sublinha que os protagonistas destes encontros decidiram percorrer o país, num prazo de três a seis meses, para discutir e falar de todos os problemas do Senegal a fim de encontrar soluções.

07 Junho 2008 14:17:00


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