Rebeldes instados a respeitar princípios humanitários no leste da RDC

Kinshasa- RD Congo (PANA) -- O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) lançou um apelo urgente às forças rebeldes do Congresso Nacional de Defesa do povo (CNDP) do general dissidente Laurent Nkunda para garantirem, em conformidade com os princípios humanitários, a protecção das 10 mil pessoas deslocadas que se refugiaram na zona de Kiwanja, em território de Rutshuru, na província de Kivu-Norte (leste), de acordo com fonte oficial.
Este apelo foi lançado na sequência de várias informações segundo as quais deslocados instalados nesta zona situada perto duma base da Missão das Nações Unidas na RD Congo (MONUC) estão a ser pressionados para regressar às suas aldeias de origem, indica um comunicado do ACNUR divulgado a partir de Genebra, na Suíça, e transmitido segunda- feira à PANA.
"Os deslocados não deviam ser submetidos a tais intimidações.
Qualquer regresso deve ser voluntário", lembrou o porta-voz do ACNUR, Ron Redmond citado no comunicado.
A agência especializada da ONU expressou a sua preocupação particularmente por saber que os rebeldes exigiram recentemente listas de pessoas deslocadas presentes nesta zona para ver as suas aldeias de origem.
"Os deslocados internos indicaram-nos igualmente que alguns deles tinham sido detidos arbitrariamente ou forçados a trabalhar", indicou Redmond.
Os 10 mil deslocados presentes na localidade de Kiwanja nos arredores de Rutshuru, a 80 quilómetros ao norte de Goma, a capital de Kivu- Norte, precisam urgentemente de assistência, principalmente alojamentos e víveres, lê-se no comunicado.
O CNDP do general dissidente Nkunda tomou o controlo de Rutshuru durante os confrontos ocorridos em finais de Outubro último e afirma que até agora as zonas sob o seu controlo, nomeadamente Jomba, Kisigari, Busanza e Rugari, estão seguras para o regresso, de acordo com a nota.
Mas alguns deslocados internos indicaram ao ACNUR preferir ficar perto da base da MONUC por razões de segurança, o que lhes permite também estar à proximidade das suas aldeias ao passo que outros preferem serem transferidos para Goma.
Mas alguns afirmaram que, se o poderem, fugirão para o Uganda, soube- se da mesma fonte.
Em Janeiro de 2008, o número de deslocados na região estimava-se em mais de 846 mil pessoas mas, desde a retomada dos confrontos em Agosto de 2008 entre o Exército congolês e o CNDP em Kivu-Norte, cerca de 250 mil pessoas fugiram desta zona, indica o ACNUR.

22 décembre 2008 19:10:00


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