Rebeldes de Darfur acusam governo sudanês de novos ataques

Abuja- Nigéria (PANA) -- Os dois principais grupos rebeldes da região de Darfur, oeste do Sudão, acusaram segunda-feira os soldados do governo sudanês e a milícia Janjawid de lançar novos ataques contra as suas posições, e alertaram que tais actos podem prejudicar as negociações de paz em curso na Nigéria.
A sexta ronda das negociações de paz de Darfur abriu quinta-feira passada em Abuja, capital federal nigeriana.
Durante uma conferência de imprensa organizada segunda-feira, Abdulrahman Musa, chefe da delegação do Movimento/Exército de Libertação do Sudão (SLM/A), e o seu homólogo do Movimento da Justiça e Igualdade (JEM), Hussein Adam, declararam que os ataques mataram 17 pessoas em Korbia, oeste de Darfur, a 17 de Setembro, ao passo que 13 outras morreram no oeste de Jabamara.
"Se estes (ataques) persistirem, não teremos ambiente para continuar com estas negociações e devemos tomar uma solução rápida, bastante decisiva para reter imediatamente esta tendência", alertou Musa.
Porém, o porta-voz da delegação sudanesa em Abuja, Amin Amer, desmentiu as declarações dos rebeldes, afirmando que estes estão apenas a "tentar influenciar sentimentos para atrair alguma simpatia".
De acordo com ele, as áreas onde os tais actos teriam alegadamente ocorrido estão sob o controlo da força de intervenção da União Africana (UA) e não do governo sudanês.
Por seu turno, o chefe da Missão da União Africana no Sudão (AMIS), Babagana Kingibe, disse que o seu órgão está a investigar sobre os presumíveis ataques.
"Vamos reagir adequadamente assim que forem confirmadas as alegações", acrescentou.
A UA, que medeia nas negociações de Abuja, expressou a sua esperança de que a actual sessão pode ajudar a resolver a crise de Darfur, em que 200 mil pessoas terão morrido e dois milhões de outras sido deslocadas desde o início das hostilidades em Fevereiro de 2003.

19 Setembro 2005 18:14:00




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