Quénia encerra fronteira com Somália

Nairobi- Quénia (PANA) -- As autoridades quenianas, temerosas da entrada de elementos da União dos Tribunais Islâmicos (UTI) no país onde se esconderiam entre os milhares de refugiados somalís, anunciaram quarta-feira o encerramento da sua fronteira com a Somália.
O ministro queniano dos Negócios Estrangeiros, Raphael Tuju, explicou que esta decisão era motivada por preocupações de segurança, acrescentando que uma selecção satisfatória dos refugiados provenientes da Somália devia ser efectuada antes de qualquer admissão nos campos situados em território queniano.
"O Quénia encerrou a sua fronteira com a Somália devido à insegurança e seleccionámos todos os refugiados antes de lhes autorizar o acesso ao nosso território", indicou Tuju, algumas horas após a expulsão de pelo menos 400 refugiados na Somália pelas forças de segurança.
"Não estamos em condições de determinar se estas pessoas são verdadeiros refugiados ou combatentes.
Por conseguinte, é preferível que elas fiquem na Somália", declarou o chefe da diplomacia queniana.
Tuju afirmou, durante uma conferência de imprensa organizada em Nairobi, que o Quénia apoiou o desdobramento de tropas etíopes na Somália mas que excluia, contudo, a intenção de enviar tropas a este país atormentado pela guerra.
Acrescentou que a triagem sistemática de todos os refugiados que entram no país vai prosseguir.
De acordo com responsáveis onusinos, cerca de quatro mil refugiados somalís estavam a vaguear na fronteira com a Somália e necessitavam de assistência urgente.
O encerramento da fronteira ocorre dois dias após o apelo lançado pelo antigo Governo de Transição da Somália, que não tinha nenhum poder, em Nairobi, para fechar a sua fronteira a fim de dissuadir os islamitas que acabavam de abandonar o seu último bastião na cidade portuária de Kismayo (sul), de tentar atravessar a fronteira.
Tuju afirmou que o Quénia, que reforçou as medidas de segurança na sua fronteira, temia um eventual afluxo no país de armas transportadas por refugiados ou combatentes em fuga.
O Quénia vai apoiar qualquer iniciativa da União Africana e da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) visando o desdobramento de tropas à Somália a fim de restaurar a ordem pública, disse.
Precisou que qualquer indivíduo suspeito de pertencer ao Conselho Supremo dos Tribunais Islâmicos identificado no território queniano será detido e julgado.
Explicou que não havia nenhum conflito entre o Quénia e a Etiópia a respeito da decisão do primeiro de invadir a Somália, afirmando que esta iniciativa foi motivada pela preocupação de restaurar a estabilidade na Somália, um país privado de um verdadeiro Governo desde o derrube do ditador Siad Barre há 16 anos.
"O Governo está feliz de constatar que o Governo Federal de Transição (GFT) está hoje em Mogadíscio e controla a situação", declarou Tuju.
Indicou, além disso, que a prioridade era ajudar o Governo reconhecido pela comunidade internacional a restaurar a estabilidade, em conformidade com os desejos da IGAD, cuja presidência é assegurada pelo Presidente queniano, Mwai Kibaki.
O ministro queniano dos Negócios Estrangeiros afirmou que o seu país apelou ao Governo de transição e à Etiópia a abrir no seu território campos para pessoas deslocadas.

04 Janeiro 2007 17:50:00




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