Quénia acusa Austrália de guardar informações sobre atentado

Nairobi- Kenya (PANA) -- O jornal queniano East African Standard criticou severamente domingo o governo australiano por ter guardado informações sobre a preparação do atentado ocorrido quinta-feira última em Mombassa.
De acordo com mesmo jornal, o governo australiano traiu não só o Quénia mas também o resto do mundo ao guardar para si só informações tão cruciais sobre os atentados que se preparavam.
Por outro lado, o Sunday Nation, igualmente jornal queniano, pede aos fundamentalistas que façam a guerra noutro lugar, estimando que o Quénia nada tinha a ver com a sua luta.
Evocando a questão palestiniana, o jornal declara que se todos os quenianos desejam ver os palestinianos disporem do seu próprio Estado, os terroristas não granjeam nenhuma simpatia ao bombardearem o Quénia.
"Desejamos todos vê-los disporem dum maravilhoso quadro de vida.
Mas os nossos filhos vivem nas ruas.
Por mais urgente que seja a questão palestiniana para Ussama Bin Laden, isto não nos diz respeito.
Também temos os nossos problemas vitais a resolver e não condenamos nem bomabardeamos ninguém", sublinhou o jornal.
No seu editorial de domingo, o jornal Standard ressaltou que as leis internacionais exigiam da Austrália que advertisse os serviços de segurança quenianos de que se preparavam ataques terroristas.
"Logicamente, a Austrália deveria ter informado não só estes dois países - o Quénia e o Israel - mas também os Estados Unidos e todos os países envolvidos na luta contra o espectro do terror e tomar consequentemente a iniciativa de intervir no sentido de frustrar estes atentados", estimou o jornal.
"Evidentemente, se a Austrália nada fez da informação que detinha, senão alertar os seus cidadãos, então é directamente responsável pelo sangue derramado por estes malvados", indignou-se o jornal.
Por sua vez, o Sunday Times apela as Nações Unidas para isolarem todos os países que fomentam o terrorismo.
O governo queniano também, na pessoa do seu ministro da Segurança Interna, Julius Sunkuli, criticou sábado a Austrália por não o ter avisado de que um atentado terrosista estava a ser preparado em seu território.
Reagindo às informações divulgadas pelos media internacionais segundo as quais os serviços secretos australianos estavam ao corrente da iminência dum golpe e tinham avisado os seus cidadãos para não se deslocarem ao Quénia, Sunkuli interrogou-se por que os australianos não transmitiram estas informações ao seu país.
Falando em Nairobi, em reacção ao atentado-suicida contra um hotel israelita em Mombassa (cidade portuária queniana), que fez 15 mortos e 80 feridos, Sunkuli lamentou que as autoridades australianas tivessem preferido guardar silêncio em relação à preparação dos atentados.
Mas a Austrália ainda não reagiu a todas estas acusações.

03 Dezembro 2004 19:05:00


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