Psicólogos alarmados com aumento da delinquência juvenil em Angola

Luanda- Angola (PANA) -- Psicólogos angolanos preocupados com o alarmante aumento da delinquência juvenil no país defenderam uma parceria entre o governo e os especialistas em criminalidade visando a criação de centros de reeducação de menores.
Numa avaliação sobre a problemática da delinquência, sugeriram que o governo trabalhasse com psicólogos, sociólogos e outros educadores sociais para sensibilizar as comunidades rurais e urbanas sobre os riscos do uso das drogas pelos adolescentes.
Para o psicólogo Carlinhos Zassala, o governo deve disponibilizar fundos para a criação de programas educativos em línguas nacionais para que a mensagem sobre o combate ao fenómeno chegue aos jovens de todas as províncias do país sem discriminação.
Aquele professor universitário defendeu ainda a necessidade da adopção de métodos para ocupar o tempo dos jovens, tais como emprego e recreação, já que, disse, a ociosidade "é uma das causas da delinquência juvenil".
"Se o governo não tomar medidas rápidas, o índice de criminalidade poderá aumentar nos próximos anos ", alertou numa entrevista sábado à agência angolana de notícias (ANGOP).
Por seu lado, a psicóloga Sandra Gomes de Almeida lembrou que a família, como núcleo fundamental para o desenvolvimento das pessoas, exerce um papel importante no desenvolvimento dos padrões precoces do jovem para lidar com situações adversas.
Para ela, a prevenção da delinquência juvenil deve ser feita igualmente na escola, educando os jovens sobre os riscos e consequência dos actos marginais, criando-se jogos que ensinem às crianças a ganharem amor próprio, confiança, respeito pelo próximo e a terem noções sobre os riscos e consequências do uso das drogas.
Sandra Gomes destacou três passos no combate e prevenção contra a delinquência juvenil consubstanciados nas acções primária, dirigida à população em geral; secundária, às populações em risco, prestando com uma especial atenção aos "meninos de rua" que já tenham cometido pequenos delitos e terciária, aos já considerados delinquentes, reintegrando-os na sociedade.
Angola, um dos países africanos que mais sofreu as agruras da guerra civil, tinha até 2002 centenas de milhares de crianças abandonadas, umas pela morte dos pais e outras deslocadas e separadas dos seus entes queridos e aprendendo a sobreviver sozinhas.
Até aquele ano, Luanda, a capital angolana, contava cerca de 100 mil meninos da rua que dormiam ao relento e que se alimentavam de qualquer maneira, roubando ou buscando a comida nos contentores de lixo.
Nos últimos tempos têm surgido no país, sobretudo em Luanda, associações marginais com carácter juvenil, entre os quais se destacam os grupos HDA, Black Suicida, Danger e Metralhas, que cometem todo o tipo de crimes, desde o assassinato, estupro, violação, assalto à agressão.
Muitas vezes, estes delitos são cometidos sob o efeito das drogas.

26 يوليو 2004 08:44:00


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