Profissionais de saúde prosseguem com greve no Burundi

Bujumbura- Burundi (PANA) -- Uma greve dos profissionais da saúde pública vai brevemente entrar na sua terceira semana no Burundi, sem que o governo se comprometa a responder à principal reivindicação dum novo estatuto especial mais remunerador dos serviços da corporação, soube-se de fonte próxima dos grevistas.
Segundo os cálculos já feitos, será preciso pelo menos um montante global de 52 biliões de francos burundeses (cerca de 52 milhões de dólares americanos) para financiar as reivindicações salariais destes profissionais, afirmou quinta-feira à imprensa o presidente da comissão encarregue de analisar o impacto orçamental dum novo estatuto especial dos médicos burundeses, Jean Sindayigaya.
"Isto quer igualmente dizer que um médico especialista verá o seu salário passar de cerca de 160 mil francos burundeses (mais de 130 dólares americanos) para mais de um milhão 700 mil (cerca de mil 385 dólares americanos) por mês, se o novo estatuto entrar em vigor", prosseguiu Sindayigaya, cumulativamente conselheiro principal encarregue de Questões Sociais e Culturais junto da Segunda Vice- Presidência da República do Burundi.
A outra dura realidade dada a conhecer aos tenazes médicos grevistas é que o projecto de orçamento geral do Estado burundês para o ano 2009 já foi submetido ao Parlamento e prevê apenas nove biliões de francos burundeses para a sua remuneração.
Ostentando alternadamente a moca e a cenoura, o representante do governo nas negociações com o sindicato dos médicos declarou que "um diálogo responsável" continua aberto, ordenando-lhes ao mesmo tempo para retomarem sem delongas o trabalho sob pena de sanções.
"Se os médicos não assumirem as suas responsabilidades, o governo vai assumir as suas", ameaçou o responsável antes de projectar "requisições porque estamos em tempo de guerra e não podemos deixar as pessoas continuarem a morrer sem agirmos".
Os gevistas, por sua vez, insistiam quinta-feira em manter, ou endurecer o movimento até à assinatura duma convenção que garanta a adopção dum novo estatuto especial dos pessoais da saúde pública antes do fim do ano 2008 e a sua consequente aplicação a partir de Janeiro de 2009.
Apenas os doentes moribundos beneficiam actualmente dos cuidados médicos limitados nos hospitais públicos do país por causa do conflito social mais longo na história das greves no Burundi e que descontenta sobremaneira a opinião já fragilizada por muitas outras preocupações diárias, tais como uma outra longa greve dos funcionários do sector pretroleiro e a inflação galopante no país.

11 Dezembro 2008 20:09:00


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