Primeiro-ministro ivoiriense denuncia detenções arbitrárias

Abidjan- Côte d'Ivoire (PANA) -- O primeiro-ministro do governo ivoiriense de reconciliação nacional, Seydou Elimane Diarra, pediu a tomada de disposições para se pôr fim aos "raptos e detenções arbitrárias" ulteriores à sangrenta repressão da marcha da oposição quinta-feira, soube a PANA em Abidjan O apelo do primeiro-ministro Seydou Diarra foi expressamente dirigido aos ministros da Defesa e da Segurança Interna na sequência dos mortíferos incidentes de quinta-feira, na capital económica do país.
"Pedi aos ministros da Defesa e da Segurança Interna, que tomassem todas as medidas apropriadas para a cessação de toda a forma arbitrária de rapto e detenção", declarou Diarra à Rádio Televisão Ivoiriense (RTI).
Anunciou a criação de um comité ad hoc de crise e de vigilância encarregue de recolher todas as queixas das vitímas e das pessoas ameaçadas na sua vida e nos seus bens.
Pediu igualmente ao ministro de Estado da Justiça que "contactasse imediatamente as instâncias competentes para que uma comissão de investigação internacional fosse rapidamente criada, para esclarecer esses eventos e apurar as responsabilidades".
Recordou às Forças de Defesa e de Segurança que a sua missão republicana era garantir a segurança e a defesa dos bens e das pessoas, bem como a manutenção da Ordem Pública.
Diarra condenou toda a forma de "organização informal paralela", numa clara alusão à parte activa de milícias do poder que participaram na repressão da manifestação.
"Devemos definitivamente pôr fim ao ciclo de violência e de impunidade no nosso país", frisou, sublinhado que "nada justifica as violências destes últimos dias que revestem um carácter particularmente preocupante".
Apelando para um regresso rápido à normalidade, o primeiro- ministro convidou os partidos signatários do Acordo de Marcoussis que suspenderam a participação dos ministros saídos das suas fileiras no Conselho de Governo e no Conselho de Ministros, a retomarem os seus posto no seio dessas instâncias.
"A defecção de um ou outro dos signatários vai comprometer a aplicação do Acordo e a execução das reformas", estimou.
Para ele, só o respeito pelos compromissos assumidos e a sua execução sinceira por todas as partes trarão a confiança indispensável ao diálogo e a colaboração necessária para a boa condução do processo de paz e de reconciliação.

29 Março 2004 13:16:00




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