Primeiro-ministro etíope pede envio de soldados de paz à Somália

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- O primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, apelou à União Africana e às Nações Unidas a enviar com urgência uma força de manutenção da paz à Somália após a derrota dos extremistas que ameaçaram atacar o seu país.
"A paz na Somália não é ainda definitiva", afirmou o primeiro- ministro etíope terça-feira, diante do Parlamento, quando informava a vitória das Forças de Defesa Etiópes sobre as tropas extremistas que tentaram derrubar o Governo Federal de Transição (GFT) da Somália a fim de impôr um Governo do tipo talibã.
"Não podemos transformar-nos em força de manutenção da paz.
Pensamos que a comunidade internacional compreende a nossa posição e vai proceder urgentemente ao desdobramento de soldados da paz ao terreno, a fim de evitar que haja um vazio após a retirada das nossas forças", precisou.
O primeiro-ministro etíope apelou igualmente à comunidade internacional a fornecer uma ajuda humanitária adaptada às necessidades das populações somalís que conheceram 16 anos consecutivos de instabilidade alimentada pelas lutas entre os diferentes clãs dos chefes de guerra.
Meles afirmou que, após ter quebrado a espinha dorsal das forças extremistas, as tropas etíopes vão deixar o território somalí dentro de algumas semanas e regressarão às suas casas para participar com os seus compatriotas na luta contra a pobreza.
"Isto não significa que vamos parar de limpar o resto das forças extremistas ou de renunciar aos esforços de estabilização empreendidos actualmente pelo povo somalí", acrescentou.
Antes do início do conflito, que durou duas semanas, a Etiópia treinou os novos recrutas do Exército e da Polícia da Somália.
É provável que os instrutores etíopes permanecerão durante muito tempo no país após terem testado os novos soldados em situação de intervenção.
O Governo Federal de Transição (GFT), instalado em Outubro de 2004, nunca conseguiu funcionar efectivamente, visto que o acesso à capital lhe foi proibido pelos chefes de guerra e, até uma data recente, pela União dos Tribunais Islâmicos (UTI).
A UTI, que beneficiava do apoio de fundamentalistas islâmicos estrangeiros, espalhou o terror em todo o país, com o objectivo de impôr um Governo de estilo talibã, mas não conseguiu penetrar na cidade de Baidoa que era a sede provisória do GFT.

03 Janeiro 2007 12:54:00




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