Primeiro-ministro acusado de desvalorizar compromissos assumidos em Cabo Verde

Praia, Cabo Verde (PANA) – O vice.presidente do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV), Rui Semedo, a maior força da oposição, acusou o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulissses Coreia e Silva, de estar a desvalorizar os compromissos de despartidarização do Estado, assumidos durante a campanha eleitoral que culminou na vitória do seu partido, Movimento para a Democracia (MpD), nas legislativas de 20 de março último.

O dirigente do partido que governou Cabo Verde nos últimos 15 anos (2001-2016) apelou ao Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, que já recebeu estas propostas do Governo,  para analisar "de forma clara" a situação e pôr em primeiro plano os interesses de Cabo Verde e não os interesses partidários.

Por sua vez, o presidente da União Cabo-verdiana, Independente e Democrática (UCID), António Monteiro, declarou à Rádio de Cabo Verde (RCV) que "o que está em causa não é a capacidade técnica e política dos nomeados, mas sim a forma como o processo está a ser conduzido.

"As nomeações são políticas e devemos assumi-las como tal, porque outrora aconteceu, está a acontecer agora, apesar de o partido que ganhou as eleições de 20 de março último dizer que, na função pública e nas instituições do Estado, "iríamos ter a despartidarização", sublinhou António Monteiro.

ào exemplo do PAICV, o líder da UCID também apelou ao Presidente Jorge Carlos Fonseca para priorizar os interesses de Cabo Verde em detrimento dos interesses partidários.

A mesma poosição foi manifestada por um analista, académico e embaixador jubilado cabo-verdiano, Corsino Tolentino, que pediu, em declaração à RCV, ponderação ao Presidente da República, embora considere normal o facto de o Governo nomear embaixadores políticos.

No entanto, ele considera que isso só deve acontecer se estiverem esgotadas as opções dentro dos quadros de carreira diplomática do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

"Só depois de esgotadas todas as possibilidades dentro da carreira é que devíamos recorrer aos embaixadores políticos, uma vez que já vamos com 41 anos de independência e já houve tempo de desenvolver essa carreira", sustentou Corsino Tolentino, recomendando mais diálogo ao Governo nas decisões que tomar.

Quarta-feira, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, confirmou a substituição dos embaixadores em Portugal, na Bélgica e nos Estados Unidos, anunciando os nomes do antigo primeiro-ministro do MpD para chefiar a missão diplomática do país em Washington, nos Estados Unidos, em substituição do ex-secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, José Luís Rocha.

De igual modo, ele confirmou também a nomeação do advogado Eurico Monteiro, ex-deputado,  para a embaixada de Cabo Verde em Portugal, substituindo Madalena Neves, bem como a dum deputado e dirigente do MpD, José Filomeno, para a Bélgica, no lugar do ex-ministro das Relações Exteriores, Jorge Borges.

Contudo, o chefe do Governo não revelou o nome da personalidade que irá chefiar a representação diplomática cabo-verdiana nos Estados Unidos, em substituição do exonerado Francisco Veiga.

Casos os nomes indicados pelo Governo sejam confirmados pelo Presidente da República, os novos embaixadores deverão entrar em funções em finais de agosto próximo.

De acordo com os dois partidos da oposição em Cabo Verde, estas personalidades todas  foram recentemente exoneradas pelo Presidente da República, soube-se de fonte segura.

-0- PANA CS/DD 23julho2016

23 Julho 2016 11:48:39


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