Presidente senegalês denuncia preconceitos sobre África

Dakar, Senegal (PANA) – O Presidente do Senegal, Abdoulaye Wade,  denunciou no fim-de-semana em Dakar preconceitos sobre África por parte de intelectuais "que ignoram tudo do continente " negro.

"Estes preconceitos são certamente divulgadas por homens inteligentes que ignoram muitas as vezes a sociedade africana, a história de África, mas que ousam fazer afirmações sem fundamento", declarou Wade na cerimónia de abertura da III edição do Festival Mundial das Artes Negras que terminará a 31 d Dezembro 2010.

"Quisemos dar uma dimensão intelectual a este festival porque é o último bastião de refúgio dos preconceitos", acrescentou o Presidente senegalês.

Ele sublinhou que o movimento que desembocou neste III Festival Mundial das Artes Negras é um movimento muito antigo, conhecido hoje sob o nome de panafricanismo.

"Os precursores deste movimento são numerosos. Desde o Século XIX, particularmente na América. Eles lutaram com a cultura para mostrar que não havia superioridade cultural", lembrou o Presidente Wade, afirmando que estes movimentos  impuseram-se  em todos os domínios durante os Séculos XIX e XX, em particular nos domínios da ciência e da tecnologia.

Ele sublinhou que "vamos levar a cabo esta batalha intelectual e estamos certos  de a ganhar".

Segundo ele, os debates organizados durante o festival vão mostrar que o Africano está no centro da criação científica e tecnológica em todos os domínios.

"Vamos levar a cabo a batalha contra o preconceito segundo o qual somos um povo consumidor de ideias e de inovação, mas não um povo criador,  Vamos mostrar que os povos negros participaram muito ativamente em todas as guerras que fizeram o mundo livre desde a guerra entre França e a Prússia em 1870 e a segunda guerra mundial", prosseguiu o estadista senegalês.

Ele indicou que África sempre está de pé, apesar de ter sofrido quatro séculos e meio de escravatura e dois séculos de colonização, convidando  os jovens africanos e da diáspora a orgulhar-se do seu passado.

Segundo o Presidente Wade, o passado de África é "um passado de resistência e de participação nas guerras de libertação do mundo".

Ele homenageou os precursores do renascimento de África, incluindo o Jamaicano Marcus Garves, os Senegaleses Léopold Sédar Senghor e Alioune Diop, o Ganense Kwame Nkrumah, e o Malgaxe Rabemananjara.

-0- PANA SIL/AAS/MAR/DD 12Dez2010

12 Dezembro 2010 15:03:35


xhtml CSS