Presidente moçambicano atribui mudanças climáticas à arrogância humana

Nova Iorque, Nações Unidas (AIM) – As mudanças climáticas que hoje se fazem sentir no mundo inteiro resultam da arrogância e ignorância do Homem que, durante vários séculos, agiu "como se fosse o único proprietário do planeta", declarou, em Nova Iorque, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

Nyusi falava durante a sua intervenção num debate que teve lugar na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque (Estados Unidos), intitulado “Protegendo o Nosso Planeta e Combatendo as Mudanças Climáticas”.

“Durante séculos, a nossa espécie agiu como se fosse a única proprietária do planeta. Por isso, pagamos caro por esta arrogância e ignorância. Não existe nação, não existe ser humano que não esteja hoje sofrendo por esta arrogância”, disse Nyusi.

Explicou que as mudanças climáticas constituem um sério aviso que indicam a necessidade para a adoção urgente de medidas para as devidas correções.

“Temos que mudar práticas e atitudes em nome da nossa futura sobrevivência. Foi esta mesma instituição que em 1987 alertou sobre o perigo dos desequilíbrios ambientais”, disse.

O alerta vem inserido num relatório das Nações Unidas intitulado “O Nosso Futuro Comum”, que dava prova dos limites do uso desregrado dos recursos.

O mesmo advertia que a economia e política deveriam respeitar os processos ecológicos do planeta, através da adoção de uma nova cultura e atitude.

O estadista moçambicano fez questão de vincar que “nós não somos donos”, mas sim moradores, pelo que todos nós temos que cuidar da nossa única morada.

Assim sendo, disse, a proteção do planeta e o combate às mudanças climáticas deveriam constituir uma preocupação central da intervenção de cada cidadão e de toda a sociedade como entidade coletiva.

“Caso não sejam tomadas medidas urgentemente, acertadas e concertadas, podemos comprometer a nossa própria existência como espécie humana”, advertiu Nyusi.

Explicou que Moçambique conhece bem os efeitos destas mudanças climáticas devido a fatores geográficos limitados e capacidade de resposta, uma situação que é exacerbada pelo deficiente acesso a tecnologias apropriadas, razão pela qual o país é extremamente vulnerável a estes fenómenos.

Lembrou que o clima em Moçambique integra uma alternância de períodos de seca e períodos de cheias, mas que existem fortes indícios que apontam para um aumento significativo da frequência e intensidade da ocorrência destes fenómenos.

Como consequência, tornou-se mais frequente a ocorrência de eventos extremos tais como cheias, secas e ciclones, comprometendo a produção agrária e com um forte impacto negativo na segurança alimentar, afirmou.

Por isso, Moçambique já está a preparar propostas para o futuro regime climático, cujas medidas incidem fundamentalmente na adaptação e aproveitamento de medidas de mitigação capazes de contribuir para a redução da pobreza e promoção de um desenvolvimento sustentável.

“Iniciamos também a elaboração de um programa de ação nacional da estratégia nacional e mitigação às mudanças climáticas”, disse Nyusi, explicando que a mesma vai contribuir para a redução do risco climático nas comunidades e na economia social, promovendo o desenvolvimento limpo.

Além disso, Moçambique está a integrar a resiliência climática e instrumentos de planificação do desenvolvimento abrangendo os distritos através de planos locais de adaptação.

O governo também está a reforçar o sistema nacional de observação hidrometeorológica e produção de conhecimento, sensibilização das comunidades, entre outras medidas.

Nyusi disse esperar que todos os Estados atribuam a mesma prioridade à solução do problema e que venham a ser adotadas medidas vinculativas para todas as partes.

“Esperamos que o peso das mediadas de adaptação seja balanceado e de forma equilibrada para o conjunto das nações”, rematou, para de seguida acrescentar que “esperamos finalmente que tudo se fará com a devida transparência para apoiar a concretização dos compromissos assumidos”.

Vincou que a situação global é demasiado séria para o mundo se contentar com a produção de simples apelos ou aprovação de protocolos que não sejam cumpridos integralmente por todos os países.

Enquanto isso, afirmou, Moçambique continuará sempre empenhado nos esforços internacionais para minimizar os efeitos climáticos de mudanças, "porque o Governo defende um ambiente saudável para uma vida saudável".

-0- PANA AIM/IZ 29set2015

29 Setembro 2015 15:47:06


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