Presidente mauritaniano contra qualquer exagero em relação aos refugiados

Nouakchott- Mauritânia (PANA) -- O Presidente mauritano, Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi, rejeitou "qualquer exagero político" relativo ao regresso dos refugiados mauritanianos no Senegal e no Mali há 18 anos.
Evocando a situação deste refugiados numa entrevista domingo à Televisão Nacional, por ocasião dos seus 100 dias no poder, Ould Cheikh Abdallahu sublinhou tratar-se dos "cidadãos mauritanianos, refugiados noutros lugares e vivendo em campos de acolhimento" e que devem ser restabelecidos nos seus direitos.
"Trata-se duma questão nacional que não deve ser objecto de exagero e de especulação política", acrescentou o chefe do Estado mauritaniano.
Várias dezenas de milhares de cidadãos mauritanianos foram expulsos do seu país para o Senegal e o Mali no final de Abril de 1989, na sequência dos confrontos étnicos que fizeram centenas de vítimas em ambos lados do rio Senegal.
O então regime, de Maaouya Ould Sid'Ahmed Taya, sempre negou este facto.
O governo de transição (Agosto de 2005 - Abril de 2007) concedeu, por sua vez, a prioridade à execução da agenda eleitoral para a restauração da ordem constitucional.
O novo Presidente, instalado a 19 de Abril de 2007 reconheceu a responsabilidade do Estado mauritaniano nestas expulsões e anunciou a organização duma vasta operação de regresso à pátria e uma indemnização das vítimas.
Uma missão ministerial mauritaniana visitou recentemente, a propósito, os campos dos refugiados a fim de preparar o seu regresso com a colaboração das autoridades do Senegal e do Mali, assim como do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Em certos circulos nationalistas árabes partidários do regime de Ould Taya (derrubado a 3 de agosto de 2005 por um golpe de Estado militar), o discurso de 1989 foi exumado para anunciar "um fluxo maciço de populações estrangeiras" para a Mauritânia.
Um ex-embaixador da Mauritânia no Senegal, Mohamed Moctar Ould Zamel, deputado da maioria presidencial actual (também ex-ministro durante o reinado de Ould Taya) atribuiu, em declaração, há algumas semanas, à Televisão Nacional, a "responsabilidade" pelos eventos de 1989 ao reinado de Abdou Diouf (então Presidente do Senegal) e aos "exageros do seu então opositor Abdoulaye Wade" (actual Presidente do Senegal).
Em alguns meios nacionalistas negros, o discurso relativo ao regresso dos refugiados mauritanianos permanece também "prudente" e parece colocar condições irrealisáveis de imediato.
Estes últimos são acusados consequentemente de transformar o drama dos refugiados num "fundo de comércio".

30 Julho 2007 19:21:00


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