Presidente da Comissão Europeia defende pacto euro-africano

Sirtes- Líbia (PANA) -- O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, preconizou segunda-feira em Tripoli a criação de um pacto "ambicioso" entre a Europa e África que deverá examinar os princípios e valores que regem as relações entre os dois continentes.
"Hoje, podemos e devemos fazer mais para instaurar uma nova relação política sólida entre uma Europa alargada e uma África que renasce", declarou durante a abertura da quinta cimeira ordinária dos chefes de Estado e de governo da União Africa na (UA) que decorre segunda e terça-feiras na cidade líbia de Sirtes.
Barroso declarou que este pacto deverá reflectir "a igualdade", uma apropriação e um diálogo sincero em vez da culpabilidade ou da caridade como elementos determinantes da nossa parceria".
Afirmou que esta igualdade significa uma "ruptura com os reflexos neo-coloniais e paternalistas e procura estabelecer uma relação que reflecte o verdadeiro espírito e o potencial dos europeus e dos africanos".
Barroso explicou que "a apropriação" significa que cada pessoa, cada sociedade, cada país ou grupo de países tem o direito e o dever de "orientar o seu próprio rumo, realçando ao mesmo tempo a necessidade de um diálogo construtivo e honesto baseado no respeito e no interesse mútuos caracterizados pela abertura de espírito e honestidade".
Acrescentou que a UA e a Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD) deram ao continente "uma nova visão, uma missão e uma estratégia", sublinhando que o desempenho "dinâmico e audacioso" da UA no Sudão e na Côte d'Ivoire "impressionou o mundo".
"Hoje, África olha para o futuro com mais confiança e optimismo que no passado, porque se dotou de uma missão e de uma visão que vão orientá-la para um século XXI mais calmo, mas certo e mais próspero", declarou.
Saudou igualmente o Mecanismo Africano de Revisão Paritária (MARP) como um instrumento "justo e eficaz para a auto vigilância dos africanos por africanos", assinalando que os princípios dos direitos humanos e da boa governação não eram produtos de exportação europeus mas antes dos princípios universais que devem ser defendidos por todos.

05 Julho 2005 09:24:00




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