Presidente cabo-verdiano exorta compatriotas a denunciarem discriminação racial

Praia, Cabo Verde (PANA) - O Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, exortou, segunda-feira, os Cabo-verdianos a denunciarem a discriminação racial e refletirem sobre a ameaça real que esta representa e os males que já provocou à humanidade, apurou a PANA na cidade da Praia de fonte oficial.

Numa mensagem alusiva ao Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, que se assinala a 21 de março, o chefe do Estado cabo-verdiano considera que a defesa da interculturalidade, a educação voltada para a tolerância, para a aceitação e o respeito pelo diferente, são os eixos centrais da luta contra este flagelo.

Para Jorge Carlos Fonseca, “as manifestações de racismo aumentam quando as dificuldades das pessoas que padecem deste mal crescem”.

Segundo ele, “é preciso denunciar-se essa forma brutal de exclusão e assumir as limitações nesse domínio para se erradicar de vez”.

Para isso, sublinhou o estadista, será necessário uma reflexão sobre esta matéria, sobre os males causados à humanidade e sobre o crescimento das forças políticas e económicas que a defendem.

“Este processo afeta-nos, de forma clara, como país de emigração, mas também na qualidade de país de imigração, uma vez que Cabo Verde recebe muitos estrangeiros, com culturas diferentes e que, de forma muito positiva, têm enriquecido o nosso ambiente, conferindo-lhe um perfil cada vez mais cosmopolita”, precisou.

Neste sentido, o Presidente cabo-verdiano instou a todos os compatriotas a ficarem atentos ao fato de elementos menos positivos ainda estarem presentes na conduta de uma parte dos Cabo-verdianos, dificultando o seu relacionamento com imigrantes do continente africano.

Jorge Carlos Fonseca considera que a exacerbação das manifestações racistas em períodos de crise, ou a adoção de medidas que têm em vista a exclusão de pessoas em função de especificidades físicas e ou culturais, são consequência de processos mais ou menos latentes e permanentes.

“A relação entre diferentes pessoas é profundamente enriquecedora. Mas é também verdade que esses contactos, ao conterem elementos que não são familiares, que não se integram nos hábitos e na cultura de uma ou de diferentes partes, podem provocar algum sentimento de estranheza, muitas vezes interesses de outra natureza manipulam essa realidade, podendo transformá-la em hostilidade”, anotou.

A seu ver, essa concepção distorcida da relação com o outro muitas vezes impregna a cultura, onde as pessoas passam a ser educadas e socializadas, com base nessa distorção que poderá ir da desconfiança à hostilidade pelo menos potencial e que, amiúde é aproveitada para defender ou impor interesses discutíveis.

Ele recordou, a propósito, que alguns países têm adotado medidas de política que visam, “explicitamente ou não”, condicionar pessoas ou comunidades por causa das suas especificidades étnicas ou culturais, situação que, segundo ele, “atingiu o apogeu na África do Sul do apartheid”.

O Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, foi instituto pela Organização das Nações Unidas em homenagem às 69 pessoas massacradas pelas autoridades do apartheid em Sharpeville, na África do Sul, a 21 de março de 1960.

-0- PANA CS/DD 22mar2016

22 Março 2016 10:47:19




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