Presidente João Lourenço na cimeira ordinária da SADC na Namíbia

Luanda, Angola (PANA) - O chefe de Estado angolano, João Lourenço, está entre os líderes regionais aguardados para a próxima cimeira ordinária da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), a ter lugar quinta-feira, na capital namibiana, Windhoek, confirmou fonte oficial em Luanda.

Nesta cimeira, a primeira ordinária em que João Lourenço participa como chefe de Estado, Angola vai passar a presidência do Órgão de Cooperação Política, Defesa e Segurança da SADC para a Zâmbia, mantendo-se, contudo, como membro da troika deste organismo.

Segundo o ministro angolano das Relações Exteriores, um dos assuntos a ser discutido em Windhoek é a transformação do Fórum Parlamentar da SADC em Parlamento regional.

A proposta foi impulsionada pelo presidente da Assembleia Nacional angolana (Parlamento), Fernando da Piedade Dias dos Santos, que, enquanto atual líder do Fórum, deverá apresentar  os seus argumentos para convencer os chefes de Estado da viabilidade da proposta.

Por outro lado, disse o ministro, a reunião de Windhoek "é importante para Angola porque vai endossar, definitivamente, a decisão de tornar o 23 de março como Dia da Libertação da África Austral".

“Será uma ocasião histórica, para nós, porque será um reconhecimento do esforço e do sacrifício dos nossos heróis e dos internacionalistas que connosco combateram nesta batalha decisiva para a mudança do quadro político na África Austral, e consequentemente para a libertação total do continente africano”, disse o chefe da diplomacia angolana.

Angola vai igualmente anunciar a decisão internamente tomada pelo Parlamento de consagrar o 23 de março como feriado nacional, indicou Manuel Augusto em conferência de imprensa.

O 23 de março de 1988 marca o fim da célebre Batalha do Cuito Cuanavale, na província meridional angolana do Cuando Cubango, envolvendo as então Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) contra o Exército do antigo regime segregacionista da África do Sul.

A batalha iniciou-se em 15 de novembro de 1987 e é descrita como o maior confronto militar da guerra civil angolana, em que as FAPLA combateram com o apoio de forças cubanas contra a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) e o Exército sul-africano.

É também considerada a batalha mais prolongada que teve lugar no continente africano desde a segunda Guerra Mundial.

A África do Sul, que fazia fronteira com Angola por meio do território da atual Namíbia, estava determinada a impedir que as FAPLA ganhassem o controlo da região e permitissem que a Organização do Povo do Sudoeste Africano (SWAPO) atuasse livremente para obter a independência da Namíbia, então sob ocupação sul-africana.

Ambos os lados do conflito reivindicaram vitória, e até hoje as narrativas e memórias sobre a batalha são objeto de debate.

Não obstante, o evento tornou-se no ponto de viragem decisivo na guerra que se arrastava há longos anos, incentivando um acordo entre a África do Sul e Cuba para a retirada das suas tropas e a assinatura dos Acordos de Nova Iorque.

Estes entendimentos permitiram a implementação imediata da resolução 435/78 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que conduziu à independência da Namíbia e ao fim do regime de segregação racial (apartheid), que vigorava na África do Sul.

Na visão de Nelson Mandela, antigo estadista sul-africano,  Cuito Cuanavale "foi a viragem para a luta de libertação do meu continente e do meu povo do flagelo do apartheid".

-0- PANA IZ 12agosto2018

12 Agosto 2018 13:02:54


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