Presença da mulher nos centros de decisão é fraca em Cabo Verde

Praia- Cabo Verde (PANA) -- A participação da mulher nos centros de decisão política em Cabo Verde é ainda fraca, consideram diversas fontes contactadas esta semana na Praia pela PANA.
As instituições ligadas à defesa e promoção da mulher consideram que a abordagem do género em Cabo Verde está longe de atingir os objectivos de participação nos órgãos de soberania e nas instâncias do poder a nível central e local.
Segundo apurou a PANA, de entre os 17 membros do governo cabo- verdiano, apenas 4 são mulheres.
No Parlamento, num total de 72 deputados o número de mulheres com assento parlamentar efectivo não ultrapassa a dezena.
A nível do poder local, não existe actualmente em Cabo Verde nenhuma mulher à frente de uma câmara municipal.
Na administração pública, onde as mulheres representam cerca de 48,5 por cento dos funcionários, apenas 27 por cento têm funções de chefias.
Em contrapartida, representam cerca de 45 por cento dos quadros técnicos, 22 por cento do pessoal diplomático, 11 por cento dos funcionários alfandegários e 15 por cento do pessoal judiciário.
No que se refere à estrutura do emprego em Cabo Verde, os dados do último censo geral da população de 2000, indicam que a agricultura, a pecuária e a silvicultura empregam 19.
8 por cento da população activa das qual 23.
1 por cento são mulheres e 17 por cento homens; o comércio representa 16,6 por cento dos quais 11 por cento são homens e 23.
3 por cento são mulheres; a parte da educação é de 5.
6 por cento dos quais 3.
7por cento homens e 7.
9 por cento mulheres.
Relativamente ao emprego deve-se salientar ainda que, enquanto para a agricultura, pecuária e silvicultura a proporção é o resultado de fluxos migratórios masculinos, as outras situações resultam de estereótipos que persistem na sociedade cabo-verdiana e também de níveis de escolaridade e de qualificação profissional em que as mulheres são menos favorecidas.
De acordo com números oficiais, as mulheres representam 67 por cento da população cabo-verdiana, acima dos 15 anos, sem nenhum nível de instrução, dos quais 81 por cento na faixa etária de 25/64 anos.
Para uma taxa de analfabetismo de 25 por cento em Cabo verde, 32.
8 por cento dos iletrados são mulheres e apenas 15 por cento de homens, sendo de salientar ainda que no meio rural apenas 56.
6 por cento das mulheres sabem ler ou escrever.
Para fazer face a estes e outros problemas, o governo cabo- verdiano anunciou a intenção de integrar, paulatinamente, a variável género nos planos e programas de desenvolvimento, ao mesmo tempo que vai materializar acções de sensibilização da sociedade civil para adesão à Política Nacional de População.
O governo propõe-se igualmente levar a cabo uma campanha de informação e sensibilização para a equidade, cooperação e consertação entre as diversas instituições governamentais, ONG's e parceiros internacionais das políticas governamentais neste domínio.
Nos próximos tempos, a meta proposta neste domínio pelo governo do primeiro ministro José Maria Neves será a mobilização de recursos financeiros em ordem à concretização do Plano Nacional para a Igualdade e Equidade do Género, a implementação do IV programa assinado entre Cabo Verde e o Fundos das Nações Unidas para a População (FNUAP) e a criação de condições para o aumento da visibilidade do Instituto da Condição Feminina (ICF), através da reestruturação desse organismo, reforço das suas competências, reactivação das antenas e do grupo de seguimento.

08 Março 2003 19:22:00




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