Preço de energia condiciona competitividade de Cabo Verde

Praia- Cabo Verde (PANA) -- A Câmara de Comércio, Industria e Serviços de Sotavento (CCISS) considera que os anunciados aumentos das tarifas de água e energia vieram trazer encargos acrescidos às já de si difíceis condições de funcionamento e laboração das empresas cabo-verdianas, apurou a PANA sexta-feira na cidade da Praia Através do seu presidente Orlando Mascarenhas, esta entidade patronal manifestou-se contra os aumentos de preços deste início do ano, nomeadamente a subida de preços da energia para a indústria, considerando que essa medida introduz mais um elemento condicionador da competitividade do tecido empresarial cabo-verdiano.
É sabido, diz o presidente da CCISS, que em Cabo Verde os custos dos factores de produção são extremamente onerosos pelo que na perspectiva do desejado crescimento económico, seria de esperar o seu aligeiramento.
Orlando Mascarenhas disse à imprensa que o impacto dos aumentos das tarifas de água e energia no funcionamento do tecido empresarial cabo-verdiano dificilmente deixará 2003 ser o ano do relançamento da economia.
Na conferência de imprensa convocada para apresentar um estudo desse impacto encomendado pela CCISS, depois de ter sido posta "pelo Governo diante do facto consumado" do aumento dos factores água e energia em cerca de 20 por cento para a indústria, esse dirigente do patronato cabo-verdiano disse que "os integrantes da câmara reuniram-se, e ficou claro que há que apresentar ao Governo propostas proactivas de estratégias energéticas e de regulação dos custos dos factores".
Mascarenhas acrescentou que o Governo devia ter informado previamente as entidades patronais, porque, "se todos esperavam aumento das tarifas, face aos elevados investimentos a ELECTRA (empresa de electricidade e águas,recentemente privatizada) nenhum dos nossos associados o esperava de tal monta".
O presidente da CCISS explicou que a retracção do consumo das famílias, conjugado com previsíveis novos aumentos do custo dos combustíveis e novos aumentos das tarifas de água e energia, longe de configurarem uma conjuntura de relançamento, apontam para um quadro de recessão.
Os aumentos generalizados deste início de Janeiro, explicou, deixam às famílias muito menos com que gastar.
As empresas têm de vender mais caro e vender menos, porque o consumidor tem menos dinheiro para gastos não vitais, precisou.
"Era preciso que, a nível internacional ,acontecesse alguma coisa de muito excepcional que Cabo Verde pudesse aproveitar para que 2003 fosse um bom ano.
Tudo, nomeadamente o clima de guerra nas fontes de petróleo, indica o contrário", disse Mascarenhas.
O presidente da CCISS disse que as câmaras vão pedir ao Governo diálogo para que se definam políticas para a energia, cujo consumo tem crescido brutalmente, e para a definição de mecanismos de regulação que impeçam no futuro situações idênticas.

11 Janeiro 2003 12:09:00


xhtml CSS