Pescas contribui com 3,5 por cento para o PIB de Cabo Verde

Praia- Cabo Verde (PANA) -- A pesca em Cabo Verde contribui com pouco mais de três por cento no Produto Interno Bruto(PIB) do arquipélago, com um montante de aproximadamente 850 milhões de escudos cabo-verdianos (cerca de 7,5 milhões de dólares), soube a PANA segunda-feira de fonte segura.
De acordo com dados divulgados na aberta da I Semana das Pescas em Cabo Verde, actualmente, 12,5 por cento da população cabo- verdiana trabalha no sector das pescas.
Cerca de 60 por cento das capturas são provenientes da pesca artesanal, cujo produto contribui essencialmente para o abastecimento do mercado em peixe.
A pesca industrial é responsável por cerca de 34 por cento das capturas que são orientadas para a exportação.
As exportações têm vindo a baixar desde 1997, passando de 3.
115 toneladas nesse ano para 2.
448 toneladas em 1998, 1.
236 toneladas em 1999 e apenas 344 toneladas em 2000.
O representante dos armadores na I Semana das Pescas, Nélson Atanásio afirmou durante a sessão de abertura deste evento que, em resultado da crise que afecta o sector, de há já uns anos os estes mostram-se "tremendamente fragilizados".
A decisão da União Europeia (UE) de suspender a importação de produtos de pesca de Cabo Verde desde Março de 2000, por não responderem às condições higieno-sanitárias, acabou por agravar a situação, acrescentou.
"Para que o sector das pescas funcione, é preciso que tenhamos bons meios.
Ora a nossa frota é velha.
Além disso, deparamo-nos com o problema de créditos.
O embargo é o resultado dessas situações", concluiu.
Um quadro do Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas (INDP) reconheceu que a realização da semana ocorre num momento bastante difícil para um sector importante para a economia mas que já perdeu toda credibilidade junto das bancas e está com dificuldades de exportação.
"Perdeu a credibilidade junto da banca nacional.
O Banco Comercial do Atlântico e a Caixa Económica deixaram de conceder créditos ao sector dado que muitos armadores não conseguem reembolsar os empréstimos", afirmou o investigador José Lopes da Veiga.
Segundo esta fonte, as outras dificuldades têm a ver com o diminuto mercado, que se caracteriza pela fraca capacidade de absorção dos produtos e pelos preços pouco atractivos.
Entretanto, a ministra cabo-verdiana da Agricultura, Ambiente e Pescas, Madalena Neves, definiu 2003 como o ano do relançamento da pesca numa altura em que o sector se depara com dificuldades de financiamento e de exportação.
Na sua intervenção inicial, Madalena Neves apontou como perspectivas a aposta na exportação, a conclusão da primeira fase das obras do porto de pesca da Praia neste primeiro semestre e a organização do sector.
Por seu turno, o representante residente da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) , manifestou a disponibilidade daquela agência de reforçar a sua cooperação com Cabo Verde no sector pesqueiro.
"Somos um parceiro estratégico do Governo no sector das pescas e estamos determinados em continuar.
Pensamos que podemos dar um contributo a Cabo Verde para resolver esses problemas", afirmou Arlindo Bragança Gomes.
De salientar que o objectivo desta semana, organizada pelo Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, é o de proporcionar uma reflexão sobre o papel do sector no desenvolvimento de Cabo Verde.
Com esta iniciativa pretende-se também promover o reconhecimento do papel desempenhado na sociedade por aqueles que vivem do mar.
Para o efeito, vai-se institucionalizar um Dia do Pescador, a ser assinalado a 5 de Fevereiro.

04 Fevereiro 2003 19:21:00


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