Perdas pós-colheita é maior causa de desperdício de alimentos em Cabo Verde, diz FAO

Praia, Cabo Verde (PANA) – O desperdício de alimentos em Cabo Verde tem maior incidência na perda pós-colheita, revela uma fonte do Programa das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura  (FAO), apurou a PANA na cidade da Praia.

O responsável de programas do FAO, Luciano Fonseca, explicou que esse desperdício é causado pela falta de estruturas que suportem a comercialização, designadamente os centros de embalagens e transformação.

Segundo ele, as técnicas de colheita no arquipélago cabo-verdiano ainda são pouco desenvolvidas em função das necessidades do mercado, o que, a seu ver, provoca “algum desperdício de alimentos”.

Este fenómeno resulta, igualmente, na inadaptação às novas técnicas de colheita, transportes de produtos, assim como  às pragas e a outros “inimigos” da agricultura.

Neste sentido, a FAO defende uma maior aposta nas novas tecnologias agrícolas, tais como centros de embalagens e transformação de produtos, na melhoria de transporte e na promoção do agro-negócios.

De acordo com um estudo da FAO, divulgado na semana passada, os cerca de 1,3 mil milhões de toneladas de alimentos que se perdem anualmente não só causam grandes perdas económicas, mas também graves impactos nos recursos naturais (biodiversidade) dos quais a humanidade depende para se alimentar.

Segundo os mesmos dados, os custos económicos destes factos a nível mundial rondam os setecentos e cinquenta milhões de dólares por ano .

Um terço dos alimentos produzidos hoje em dia, o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Suíça, perde-se ou é desperdiçado, lamentou a FAO.

Ao apresentar o relatório de um estudo sobre esta questão, o diretor-geral da FAO, o Brasileiro José Graziano da Silva, apelou aos agricultores, pescadores, processadores de alimentos e supermercados, governos locais e nacionais, bem como consumidores individuais, para fazerem mudanças ao longo de toda a cadeia alimentar a fim de impedir o desperdício alimentar.

“Não podemos simplesmente permitir que um terço de todos os alimentos que produzimos se perca  devido a práticas inadequadas, quando 870 milhões de pessoas passam fome todos os dias”, refere o estudo.

Este é o primeiro estudo que analisa os efeitos do desperdício alimentar global do ponto de vista ambiental, focando-se particularmente nas suas consequências ao nível do clima, do uso da água e do solo, bem como  da biodiversidade.

-0- PANA CS/DD 16set2013

16 Setembro 2013 16:16:34


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