Peça sobre ex-presidente burkinabe bem sucedida em França

Paris- França (PANA) -- A peça "diálogo Sankara-Mitterand", resumo do encontro entre o ex-chefe do Estado burkinabe, Thomas Sankara, e o seu homólogo francês da época, François Mitterand, a 17 de Novembro de 1986 em Ouagadougou, fez um grande successo aquando da sua representação neste fim de semana, no Théatre des Amandiers de Nanterre, próximo de Paris.
"É um evento histórico importante que pretendi restituir escrevendo o texto encenado nesta noite.
Queria sobretudo que fosse conhecido pelas jovens gerações de franceses e de burkinabes, porque resume bem as relações Norte-Sul", declarou à PANA Jacques Jouet, autor da peça.
Fardado e com a sua boina vermelha de paraquedista do Burkina Faso, o capitão Sankara, cujo papel é apresentado na peça pelo actor burkinabe Moussa Sanou, interpelou violentamente, durante trinta minutos, o seu "hóspede" Mitterand sobre os "erros" da política externa francesa em África.
"Você deixou que a bela França fosse manchada por um bandido como o Savimbi, você teve relações com Peter Botha, o racista", disse Sanakara, aplaudido fortemente pelos espectadores do Théatres des Amandiers de Nanterre.
Respondendo, o presidente Mitterand, cujo o personagem foi representado pelo actor francês Charles Berling, engoliu o discurso diplomático redigido, para responder à letra ao seu anfitrião.
"Tome cuidado para não se deixar levar pelo ímpeto da sua juventude", aconselhou o ex-presidene francês, meio exclamativo e meio nervoso pelo comportamento do "esfervescente capitão".
Embora se tenha inspirado no encontro entre os presidenes Sankara e Mitterand, a peça apresentada em Nanterre transborda pela criação de um terceiro personagem cujo papel é apresentado pela artista burkinabe Justine Sawadogo.
Esta organiza, graças a um jogo que consiste em deitar um grão de milho numa cabaça cheia de água, a tomada de palavra entre os dois homens de estado sentados num luxuoso terraço do palácio presidencial em Ougadougou.
Uma boa música do cantor congolês Ray Lema, junta-se ao talento dos três actores da peça para granjear a adesão do público.
"Muito bem restituido.
Apreciei muito o talento dos actores e sobretudo a boa música de Ray Lema que não conhecia antes de ver esta peça", declarou à PANA Paul Sankara, irmão mais novo do ex-chefe de Estado burkinabe, presente na representação.
Satisfeito com o sucesso da peça, Jacque Jouet prometeu apresentá-la no Burkina Faso e noutros países de África onde a figura do ex-presidente burkinabe continua a ser popular, mais de 15 anos após do seu desaparecimento.

09 Dezembro 2002 18:26:00


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