Participação de El Bashir a cimeira de UA deixa pairar dúvidas

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- Não se sabe se o Presidente do Sudão, Omar El Bashir, que deveria chegar sábado à noite em Addis Abeba, vai assistir à oitava cimeira dos chefes de Estado e de Governo da União Africana de se inicia domingo na capital etíope, soube a PANA de fontes próximas da delegação sudanesa.
De acordo com estas fontes, a deslocação do Presidente sudanês a Addis Abeba é sobretudo motivada pelo seu encontro com o Secretário- Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, à margem da cimeira da UA.
El Bashir vai honrar o seu compromisso de se reunir com o SG da ONU, confirmou a delegação sudanesa.
A União Africana, o Sudão e as Nações Unidas já definiram as linhas mestras dum acordo sobre a crise de Darfur (oeste do Sudão), que poderá ser finalizado em Addis Abeba.
É neste quadro que se inscreve a deslocação de Ban Ki-moon, que pretende levar a cabo uma larga concertação com chefes de Estado para encontrar uma "saída duradoura" para esta questão.
O Presidente sudanês poderá igualmente aproveitar a sua presença em Addis Abeba para assistir à 16ª cimeira do Comité de Aplicação da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD).
No entanto, ainda não foi tomada nenhuma decisão relativa à sua presença, segunda-feira, na oitava cimeira dos chefes de Estado e de Governo da UA.
"O Presidente vai estar aqui mesmo se alguns querem que regresse antes da abertura da cimeira, em reacção à reticência cada vez mais perceptível dos meios oficais da UA em conceder ao Sudão a presidência da organização continental", afirmam fontes sudanesas.
Em Janeiro de 2006 em Cartum, os chefes de Estado da União Africana que cederam à pressão da opinião internacional, na sequência do conflito entre o Sudão e o Tchad e da situação em Darfur, recorreram ao Presidente congolês Denis Sassou Nguesso para exercer a presidência da UA.
Numa declaração no termo da cimeira, a assembleia dos chefes de Estado sublinhou que "após a consulta, os chefes de Estado aceitam que o Sudão assegura a presidência da União em 2007", reafirmando, a este respeito, a necessidade de implementar o princípio de rotatividade entre as zonas geográficas do continente.
Actualmente na capital etíope, as organizações dos direitos humanos fazem campanha contra a eleição de Omar El Bashir para a presidência da União Africana.
"Só evacar este assunto já é um descrédito para a instituição", retorquiu, sexta-feira, o secretário-geral do Encontro Africano dos Direitos Humanos (RADDHO), Alioune Tine, durante uma conferência de imprensa.
Tine condiciona a promessa de confiar o posto de presidente da União Africana ao Presidente sudanês à melhoria da situação no Sudão, afirmando no entanto que "isto ainda não está feito".
"Como pode ser ao mesmo tempo actor e árbitro dum conflito ?", interrogou-se o SG da RADDHO, sublinhando que "a opinião africana nunca aceitará que Omar El Bashir seja presidente da União Africana e manche a imagem de África no mundo".

28 Janeiro 2007 13:00:00




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