Ordenamento urbano com implicação no aumento de doenças crónicas em Cabo Verde

Praia, Cabo Verde (PANA) - O ordenamento urbano afeta diretamente a qualidade da saúde, traduzida nomedamente pelo aumento das doenças crónicas que estão a ganhar terreno em Cabo Verde, revela um estudo apresentado, quinta-feira, na cidade da Praia.

Apresentado no âmbito de um seminário sobre "Espaço Urbano e Saúde", que decorre durante dois dias na capital cabo-verdiana, o estudo visou relacionar as questões do planeamento urbano com alguns indicadores de saúde, nomeadamente a obesidade e doenças cardiovasculares.

Para o efeito,  procedeu-se à recolha de dados de 2014 sobre a zona histórica do Plateau, numa parte do mais recente bairro do Palmarejo e nas zonas periféricas de Vila Nova/Safende.

A investigação foi financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal (FCT) e implementada pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical e Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa em colaboração com o Ministério da Saúde de Cabo Verde.

O estudo concluiu igualmente que a zona de Vila Nova/Safende tem indicadores de saúde mais pobres do que as restantes duas zonas do arquipélago.

Segundo Luzia Gonçalves, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, entidade responsável pela coordenaação do estudo, “as principais conclusões apontam para que existe excesso de peso e obesidade mais acentuadamente nas mulheres do que nos homens".

"Em termos alimentares encontramos excesso de sal e de gorduras e tudo isto está a influenciar o aparecimento de doenças cardiovasculares", referiu, lembrando que Cabo  
Verde "está numa fase de transição em saúde e as doenças crónicas estão a ganhar cada vez mais terreno quando comparadas com as doenças transmissíveis".

Nesse sentido, a responsável pela investigação defendeu a necessidade de apostar na prevenção em articulação com os vários setores da cidade.

Como exemplo, apontou a questão da segurança dos espaços urbanos, notando que "se
a segurança na cidade não é propícia para que as pessoas se sintam bem a andar e a fazer exercício físico nos locais públicos evidentemente que terá muita implicação nos aspetos da saúde".

Sublinhou também o papel das próprias comunidades, destacando que, durante a elaboração do estudo, se verificou uma boa adesão das populações que evidenciaram vontade de mudar os hábitos alimentares.

Para a presidente do Instituto de Saúde Pública de Cabo Verde, Joana Alves, os resultados do estudo vêm confirmar e sistematizar a ideia que as autoridades de saúde já tinham relativamente à influência do planeamento urbano na saúde das populações.

"O planeamento urbano tem implicações na saúde”, sublinhado que o crescimento desordenado tem implicações, nomeadamente, na adução de água e no saneamento.

Joana Alves aponta também que “o fluxo das pessoas do campo para a cidade faz com que os determinantes de saúde se aprofundem, a disparidade aumente e tenha implicação na saúde".

Ela adiantou ainda que o estudo agora divulgado irá "permitir incentivar medidas de promoção da saúde e de comportamento para a mudança de atitude" das populações.

-0- PANA CS/IZ 30out2015

30 Outubro 2015 12:36:30


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