Opositor impedido de deixar Conakry para tratamento no estrangeiro

Conakry- Guiné-Conakry (PANA) -- Um dos líderes da oposição na Guiné- Conakry gravemente ferido nos incidentes violentos de segunda-feira foi impedido quarta-feira pela Junta militar de deixar o país para tratamento médico no estrangeiro, soube a PANA de fonte familiar.
Segundo a mesma fonte, o ex-primeiro-ministro e actual líder da União das Forças Democráticas da Guiné (UFDG), Cellou Dalein Diallo, pretendia embarcar para a capital francesa, Paris.
Ele foi entretanto obrigado a voltar ao seu quarto numa clínica da capital conakry-guineense, onde está hospitalizado sob guarda militar desde os acontecimentos de segunda-feira, de acordo com a fonte.
Cellou Dialo teria ficado com cinco costelas fracturadas durante a repressão sangrenta da manifestação popular de segunda-feira no Estádio 28 de Setembro de Conakry.
Patrulhas das forças da ordem prosseguiam quinta-feira em Conakry onde os serviços, os estabelecimentos comerciais, bancários e outros continuavam encerrados apesar duma retomada tímida da circulação dos táxis.
O Conselho Nacional para a Democracia e Desenvolvimento (CNDD, Junta militar) e o Governo pediram a criação duma comissão internacional de inquérito com o apoio das Nações unidas.
Eles pediram ainda a nomeação dum chefe de Estado africano na qualidade de medianeiro e a formação dum Governo de União Nacional com todos os partidos políticos até às eleições presidenciais de 31 de Janeiro de 2010.
Mas as forças vivas prometeram não participar num Governo de União Nacional e exigiram a demissão do capitão Moussa Dadis Camara que afirma "não controlar o Exército" .
O líder da Junta, que visitou os feridos num hospital de Conakry, assegurou que os tratamentos dos casos graves seriam garantidos pelos poderes públicos e que os líderes políticos seriam processados.
Segundo a Organização Guineense dos Direitos Humanos (OGDH), a repressão de segunda-feira última fez mais de 150 mortos e cerca de mil 500 feridos.
Estes números assemelham-se aos da manifestação de Janeiro de 2007 quando as forças da ordem dispararam balas reais contra manifestantes que exigiam a demissão do falecido Presidente Lansana Conté.

01 Outubro 2009 21:22:00


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