Oposição sul-africana contra presidência da UA pelo Sudão

Cidade do Cabo- África do Sul (PANA) -- A Aliança Democrática (DA), principal partido da oposição sul-africana, instou o governo do seu país a "fazer tudo que estiver ao seu alcance" para impedir que o Sudão assuma a presidência da União Africana (UA).
Num comumicado divulgado na Cidade do Cabo, a DA considera uma    eventual presidência da UA pelo Sudão como "uma situação inadmissível".
O Sudão alberga de 23 a 24 de Janeiro corrente uma cimeira dos chefes de Estado da UA no decurso da qual deverá, em princípio, assumir a presidência do órgão continental actualmente garantida pela Nigéria.
Porém, fontes diplomáticas na Cidade do Cabo revelaram que a UA emendou o seu regulamento interno para evitar que as nações organizadoras de encontros cimeiros assumam automaticamente a sua presidência.
As fontes citaram a última cimeira organizada em Sirtes, no norte da Líbia, em que este país da África Setentrional não assumiu a presidência, e a Nigéria foi autorizada a continuar a liderar a União até à assembleia geral de Cartum.
Na sua nota, a DA justifica que várias organizações governamentais e não governamentais acusam o governo sudanês de graves violações de direitos humanos, pelo que a sua ascensão à presidência da UA vai "minar seriamente" a credibilidade da União e "ridiculizar o seu engajamento na protecção dos direitos humanos".
"A situação dos direitos humanos em Darfur (oeste do Sudão) é a pior do mundo", segundo a principal força política da oposição sul- africana.
O governo sudanês é uma das partes do conflito de Darfur que matou até agora 300 mil pessoas e deslocou dois milhões de outras.
Estas graves violações dos direitos humanos formaram a base da decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas de submeter a questão (de Darfur) ao Tribunal Penal Internacional, escreve a DA no seu comunicado.
Por isso, insistiu que a África do Sul deve isolar-se da posição da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) de apoiar o Sudão como candidato à presidência da UA.
"Se a África do Sul apoiar de qualquer maneira o Sudão, isso vai confirmar a impressão de que ela é amiga dos 'párias' do mundo - como os governos zimbabweano e sudanês", indicou a DA apelando ao governo sul-africano para declarar publicamente que não vai "de maneira alguma" apoiar aquela polémica candidatura.

17 Janeiro 2006 20:18:00


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