Oposição sul-africana condena operação de "limpeza" no Zimbabwe

Joanesburgo- África do Sul (PANA) -- O Partido Democrático Católico Africano (ACDP, oposição sul-africana) juntou-se segunda-feira à Conferência dos Bispos Católicos do Zimbabwe para condenar as demolições lançadas pelo governo do Presidente Robert Mugabe que deixaram dezenas de milhares de zimbabweanos desabrigados e sem meios de subsistência.
  O ACDP condenou também a alegada decisão de Mugabe de proibir as agências humanitárias de assistir a população necessitada afectada por más condições meteorológicas.
"Não há dúvidas que Mugabe está a servir-se desta 'Operação Restaurar Ordem' para reforçar a sua mão de ferro sobre os pobres zimbabweanos quebrando ao mesmo tempo a sua moral a fim de torná- los completamente dependentes da sua vontade", acusou o presidente do ACDP, reverendo  Kenneth Meshoe.
Meshoe acusou ainda a África do Sul de continuar a mostrar a sua falta de consideração pelo sofrimento dos zimbabweanos.
"A África do Sul (através da sua empresa de armamentos Armscor) foi o país que vendeu há dias peças sobressalentes para helicópteros ao Zimbabwe depois de os franceses se terem recusado a fazê-lo  devido ao embargo de armas que pesa sobre Mugabe", lembrou o reverendo.
Segundo ele, esses mesmos helicópteros "foram usados para exercer a força e intimidar o povo zimbabweano que se preparava para sair à rua e manifestar-se".
"Ao vender essas peças ao Zimbabwe,  o governo (sul-africano) enviou uma mensagem clara à comunidade internacional da sua indiferença aos abusos contra os direitos humanos naquele país", disse Meshoe.
O presidente do ACDP defendeu a necessidade de uma maior autoridade dos líderes africanos para chamar Mugabe à razão e exortou o Presidente sul-africano Thabo Mbeki para responder ao clamor dos zimbabweanos aflitivos.

21 Junho 2005 07:35:00


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