OIT quer crição de cinco milhões de novos empregos por ano em África

Praia, Cabo Verde (PANA) - O  subdiretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e diretor regional da organização das Nações Unidas para África, Aeneas Chuma, defendeu, sexta-feira, na cidade da Praia, em Cabo Verde, que o continente africano terá que criar cinco milhões de empregos por ano para conseguir acompanhar o crescimento da mão-de-obra, numa região onde metade da população tem menos de 25 anos.

Aeneas Chuma, que falava durante a sessão da abertura da assembleia geral da Federação das Organizações Patronais da África Ocidental, que decorre na capital cabo-verdiana, precisou que "de 2015 a 2030, haverá necessidade de criar cinco milhões de novos empregos por ano somente para acompanhar o crescimento da mão-de-obra".

Neste sentido, ele defendeu a tomada de "medidas ousadas" nos próximos anos para que "a explosão demográfica dos jovens" não seja "receita para a instabilidade social e política na região".

O subdiretor da OIT precisou que o empreendedorismo jovem pode ser uma saída, mas assinalou que este "é baixo" e que subsistem dificuldades como a falta de acesso a financiamento "em condições razoáveis" e as barreiras administrativas.

A necessidade de "fortalecer uma base de empreendedores locais" para impulsionar "o crescimento de um modo sustentável e inclusivo" foi também apontado por Aeneas Chuma.

Também o presidente da Federação das Associações Empregadoras da África Ocidental (FOPAO), Jean Kacou Diagou, defendeu a necessidade de introduzir na educação dos jovens a promoção do empreendedorismo.

"É uma necessidade vital para que os jovens possam ter vontade de criar e de ousar empreender", disse Jean Kacou Diagou.

O presidente dos empregadores oete-africanos alertou ainda que o desemprego jovem está a ser usado por grupos terroristas como o Boko Haram "para outros fins", sublinhando a necessidade de medidas que promovam o desenvolvimento e a criação de emprego.

Já o primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, que presidiu à abertura do encontro, sublinhou que muitos dos Estados africanos vivem ainda em condições de grande "fragilidade, pobreza e exclusão social" e com "grandes ineficiências" de funcionamento em várias áreas, o que cria "verdadeiras bombas-relógio".

"São situações que têm que ser consideradas hoje para que não venhamos a ter mais problemas no futuro", advertiu.

Para o chefe do Governo cabo-verdiano, os maiores desafios do continente africano estão relacionados com a construção de Estados capazes de criar dinâmicas de crescimento e desenvolvimento.

No caso do seu pais, José Maria Neves, que se encontra no final do mandato como chefe do Governo de Cabo Verde, garantiu que estão criadas condições para gerar milhares de postos de trabalho nos próximos anos, uma vez que, segundo ele, as bases estão lançadas para um crescimento económico mais robusto, o que vai contribuir para resolver um dos principais problemas da juventude, o desemprego.

A expetativa do governante é que esses empregos surjam em setores como a pesca, o agronegócio, o aeronegócio, o bunkering, entre outros.

-0- PANA CS/IZ 05mar2016

05 Março 2016 17:09:09


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