OIT destaca aumento de desigualdades no mundo

Nova Iorque- Estados Unidos (PANA) -- As desigualdades de rendimentos continuam a aumentar desde a década de 1990, segundo um relatório divulgado quinta-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) intitulado "Relatório sobre o Trabalho no Mundo 2008".
O relatório destaca que, apesar de o crescimento da economia mundial ter criado milhões de empregos, uma maior parte do custo da crise económica e financeira será suportada por milhões de pessoas que não têm acesso aos lucros do crescimento.
"Este relatório mostra de forma clara que a disparidade entre rendimentos das famílias mais ricas e as mais pobres aumentou desde o início dos anos 90", disse Raimond Torres, director do Instituto Internacional de Estudos Sociais da OIT, promotor deste relatório.
"A crise financeira mundial actual vai agravar mais ainda a situação, a menos que reformas estruturais a longo prazo sejam adoptadas", acrescenta Torres.
O documento destaca que se algum grau de desigualdades de rendimento pode ser útil a fim de recompensar o esforço, o talento e a inovação, disparidades maiores podem ser contraproducentes e prejudiciais para a maior parte das economias, acrescentando que o aumento das desigualdades de rendimento representa um perigo para o tecido social.
"Enquanto aumentou o emprego em 30 por cento entre o início da década de 1990 e 2007, os trabalhadores obtiveram uma pequena parte dos frutos do crescimento e a parte dos salários na renda nacional declinou", lê-se no estudo da OIT.
O texto mostra igualmente que o maior declínio da parte dos salários no Produto Interno Bruto (PIB) foi registado na América Latina e nas Caraíbas, com menos 13 pontos percentuais, ao passo que as economias desenvolvidas registaram uma baixa de nove pontos.
"Nos países onde existem inovações financeiras não regularizadas, os trabalhadores e as suas famílias endividaram-se cada vez mais a fim de financiar o seu alojamento e o consumo", indica o relatório.
As disparidades, prossegue o documento, aumentaram igualmente entre quadros dirigentes e médios.
Assim, em 2007, os dirigentes das 15 maiores empresas americanas ganhavam 520 vezes o salário médio de um funcionário contra 360 vezes em 2003.
O relatório indica que as desigualdades excessivas de rendimentos poderão ser associadas às taxas da criminalidade elevada, a uma esperança de vida reduzida e, no caso dos países pobres, à desnutrição e a uma forte probabilidade de verem as suas crianças abandonarem a escola para ir ao trabalho.
"Agora, existe uma percepção muito expandida em vários países de que a globalização não funciona para o interesse da maioria da população", afirma o relatório.

17 Outubro 2008 18:37:00


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