OIT constata défice de trabalho decente em África

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- A África Subsariana detém a segunda taxa de desemprego mais elevada do mundo além de possuir os maiores índices de pobreza, indica a Oganização Internacional do Trabalho (OIT) no seu último relatório.
Apesar de o maior crescimento do desemprego ter-se registado na América Latina e nas Caraíbas em 2005, a OIT notou no seu relatório anual sobre Tendências Mundiais do Trabalho que com 9,7 por cento a África subsariana possui a segunda maior taxa de desemprego no mundo.
Atacar o défice de emprego decente, sublinha o relatório, é a necessidade mais urgente da região.
O Médio Oriente e a África do Norte continuam a constituir a região com a maior taxa de desemprego no mundo com 13,2 por cento em 2005.
O número de desempregados voltou a subir no mundo inteiro em 2005, porque o crescimento económico registado não esteve à altura das necessidades de emprego, particularmente entre a vasta e crescente legião dos jovens desempregados.
Além disso, o relatório da OIT refere que a incapacidade de grande parte das economias mundiais de transformar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em criação de emprego ou aumentos salariais, combinada com a onda de desastres naturais e o aumento dos preços de energia, atingiu com maior incidência os mais pobres do mundo.
O documento mostrou que apesar do crescimento do PIB mundial de 4,3 por cento em 2005, apenas 14 milhões e 500 mil dos mais de 500 milhões de pobres do mundo são capazes de ganhar mais de um dólar americano por dia, por cada linha de pobreza individual.
"O relatório deste ano mostra mais uma vez que o desenvolvimento económico em si só não resolve as necessidades de desemprego mundial, e a redução da pobreza continua adiada em vários países", disse o director-geral da OIT, Juan Somavia.
"Enfrentamos uma imensa crise internacional de trabalho e um défice de emprego decente que não vão desaparecer sozinhos.
Precisamos de novas políticas e práticas para resolver estas questões", prosseguiu.
De acordo com o relatório, quase metade dos desempregados do mundo são jovens dos 15 aos 24 anos de idade cujo risco de se desempregar é mais de três vezes que o dos adultos.
A OIT considerou esta situação "incómoda" porque os jovens constituem 25 por cento da população activa.
Para esta organização, a partilha do desemprego total em serviços aumentou em todas as regiões durante os últimos 10 anos exceptuando-se no Médio Oriente e na África do Norte.
"Se o sector dos serviços continuar a crescer como nos últimos 10 anos, a agricultura passará a ser a maior criadora de empregos", indica o mesmo texto, defendendo a necessidade de reformular as estratégias de desenvolvimento e de crescimento.
Segundo ainda a OIT, em vários países, os agricultores deixam uma vida de pobreza rural na esperança de encontrar algo melhor na cidade mas terminam nos trabalhos informais ou no comércio insignificante.
O relatório da OIT considera também que a diferença de empregos entre as mulheres e os homens diminuiu durante a década passada mas mantém-se ampla.
Em 2005, 52,2 por cento das mulheres adultas estavam empregadas contra 51,7 por cento em 1995.
Em 2005, as mulheres constituíram cerca de 40 por cento da mão-de-obra internacional.
De acordo com o relatório, o reconhecimento de que a redução da pobreza pode apenas ser atingida através de melhores e mais empregos cresce de dia para dia, particularmente em África.
Uma melhor tomada de consciência sobre a importância de colocar o emprego no centro das políticas económicas e sociais, simbolizadas pela cimeira da ONU em 2005, é um passo importante a seguir, conclui.

27 Janeiro 2006 16:49:00


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