OIF preocupada com situação no Sudão e na Somália

Ouagadougou- Burkina Faso (PANA) -- Os chefes de Estado e de governo francófonos, reunidos sexta-feira e sábado últimos em Ouagadougou, expressaram a sua preocupação em relação à situação política e humanitária na África Oriental, precisamente no Sudão e na Somália, advogando um regresso à paz nestes dois países.
"Expressamos a nossa preocupação face à situação prevalecente em Darfur (oeste sudanês) e condenamos os actos de violência assim como as violações dos direitos humanos e do direito humanitário internacional neles cometidos", lê-se na declaração adoptada no termo da X cimeira da Organização Internacional da Francofonia (OIF).
Os dirigentes francófonos sublinharam igualmente a urgência de se achar, sob a égide das Nações Unidas e das organizações regionais, uma solução pacífica para este conflito "que implica uma grave crise humanitária", recordando ao governo do Sudão a sua "responsabilidade de proteger a sua população civil".
Darfur, a região ocidental do Sudão, está confrontada desde ha dois anos com uma guerra civil entre o exército regular e dois movimentos rebeldes, que fez mais de 700 mil mortos e provocou o que a ONU considera como "a mais grave crise humanitária do mundo".
Os massacres perpetrados contra os civis pelas milícias árabes Djandjawids, reputados de pró-regime sudanês, provocaram deslocações maciças de populações ao Tchad vizinho.
"Apoiamos com firmeza o trabalho de coordenação executado pela Organização das Nações Unidas para a ajuda humanitária em Darfur e nas outras regiões instáveis do Sudão.
Insistimos com força no reforço da segurança das populações civis e na defesa dos direitos das vítimas, em particular mulheres e crianças", lê-se na Declaração.
Neste contexto, a OIF saúda a assinatura a 9 de Novembro em Abuja (capital política nigeriana), sob a mediação da União Africana (UA), dos acordos humanitários e de segurança que deverão permitir aos organismos filantrópicos responderem melhor às necessidades prementes da população de Darfur.
O Presidente sudanês, Omar Hassan el-Béchir, cujo país não é membro da OIF, assistiu à cimeira de Ouagadougou onde se avistou com alguns dos seus homólogos, dos quais o francês Jacques Chirac e o nigeriano Ousegun Obasanjo, sendo este último o presidente em exércício da União Africana.
Quanto à Somália, outro ponto candente de África, a Declaração de Ouagadougou saúda os resultados das Conferências de Arta e de Nairobi, fruto dos esforços das autoridades djibutianas e quenianas para que se instaurassem o diálogo e a paz na Somália.
"Para o efeito, lançamos um apelo à comunidade internacional para apoiar os esforços do novo governo federal de transição na Somália", acrescenta este documento tornado público sábado.
A cimeira, que durou dois dias, tinha como tema "a Francofonia, espaço solidário para um desenvolvimento duradouro".

28 Novembro 2004 14:52:00




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