OIF a favor de integridade territorial da Côte d'Ivoire

Ouagadougou- Burkina Faso (PANA) -- A Organização Internacional da Francofonia (OIF) reafirmou em Ouagadougou a "sua firme dedicação" ao respeito pela soberania, unidade e integridade territorial da Côte d'Ivoire, durante a sua X cimeira realizada de 26 a 27 de Novembro na capital burkinabe.
Numa resolução sobre a Côte d'Ivoire tornada pública no final dos trabalhos da sua X cimeira, a OIF apela "todas as partes ivoirienses" a respeitarem os compromissos assumidos durante as negociações de Julho último no Gana, o chamado acordo de Accra III, com vista a facilitar "a aplicação plena e inteira do acordo de Linas Marcoussis e conduzir ao bom porto o processo político na Côte d'Ivoire".
Os chefes de Estado francófonos reafirmam igualmente a sua convicção de que "os compromissos consignados nos acordos de Marcoussis e de Accra III constituem a única via para uma reconciliação duradoura na Côte d'Ivoire e exigem a sua estrita aplicação", antes de apelarem todas as partes para "renunciarem definitivamente à retomada das hostilidades, relançando sem condição o diálogo".
A organização declarou-se preocupada pelas "violações repetidas do acordo de cessar-fogo de 3 de Maio de 2003, pelos ataques aéreos mortíferos no norte ivoiriense ocorridos em Novembro e pelos eventos deploráveis decorrentes dos mesmos".
A OIF pediu ainda às autoridades ivoirienses que pusessem fim às incitações ao ódio e à violência veiculadas por certos media e garantissem a protecção das comunidades estrangeiras residentes neste país.
Considera ainda que a situação na Côte d'Ivoire implica riscos importantes para a paz, segurança e economia em toda África ocidental e condena com firmeza "os ataques mortíferos" provocados pelas Forças Armadas Ivoirienses (FANCI) no norte do país, "incluindo os contra a força Licorne (França) mandatada pelas Nações Unidas a favor da paz".
A OIF insta igualmente o seu secretário-geral, Abdiou Diouf (ex-chefe de Estado senegalês), a mobilizar o apoio da Francofonia à Côte d'Ivoire, com vista a continuar a apoiar o processo para restabelecer a unidade territorial e conduzir, em conformidade com os acordos de Linas-Marcoussis (Janeiro de 2003) e Accra III (Julho de 2004), a eleições livres, fiáveis e transparentes.
Membro da Francofonia, a Côte d'Ivoire só foi representada na cimeira de Ouagadougou pela sua ministra da Cultura e Francofonia, Anne Malan-Messou, autorizada a exercer as suas funções só na sexta-feira pelas autoridades superiores do seu país.
Na vésperas da abertura da cimeira, o ministro ivoiriense da Integração Théodore Mel Eg, que devia chefia a delagação do seu país, resolveu dar meia volta após a Polícia fronteiriça burkinabe ter proibido o acesso ao seu território de documentos escritos e audiovisuais encontrados na sua posse.
Segundo o porta-voz do Burkina Faso para a cimeira, Michel Ouédraogo, que respondia sexta-feira à PANA, estes documentos são "hostis em relação aos países irmãos", em alusão à França, segundo fontes concordantes.
Este incidente diplomático só é o último episódio da tensão entre os dois países, marcada por alegações recíprocas de acções subversivas contra os seus territórios.
Abidjan acusa ainda Ouagadougou de apoiar as Forças Novas, a rebelião ivoiriense, que ocupam desde há mais de dois anos o norte, oeste e uma parte do centro dum país que atravessa doravante uma situação dramática.

28 Novembro 2004 12:21:00




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