Obstáculos à união monetária da CEDEAO especificamente políticos, diz economista

Ouagadougou, Burkina Faso (PANA) – A integração monetária efetiva, sem todavia ser uma condição suficiente, poderia favorecer uma aceleração do processo de integração monetária dos países-membros da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), afirma o antigo governador do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), Damo Justin Barro.

“É preciso relançar o projeto de criação desta moeda, se não os nossos países correm o risco de serem marginalizados no concerto das nações, numa altura em que têm de reforçar antes as bases das suas economias, de modo a lutar eficientemente contra a pobreza e enfrentar as crescentes exigências sociais”, indica Barro, também antigo funcionário do Banco Mundial (BM).

Segundo ele, as mutações «profundas» do ambiente económico internacional e a aceleração da globalização levaram à transformação progressiva do planeta num mercado «global e unificado». Isto que faz com que «os países cujas moedas nacionais estavam à margem deste mercado começam a ser invadidos por agrupamentos monetários», ressalta Barro, que cita o exemplo da Côte d'Ivoire, membro da União Monetária Oeste-Africana (UEMOA) «cuja economia esta solidariedade monetária permitiu salvar» durante a crise que o país conheceu.

A ideia da criação de uma moeda única no seio da zona CEDEAO foi lançada a 30 de maio de 1983, durante um encontro em Conakry (Guiné) dos Estados-membros da instituição comunitária oeste-africana. Depois de vários encontros internacionais, o ano 2020 foi escolhido como «deadline» para a realização desta solidariedade monetária. Desde então, o processo nunca progrediu.

Condições prévias indispensáveis

Além dos Estados da UEMOA, essa moeda comum será aberta aos outros Estados da CEDEAO. No entanto, como indica Barro, «a criação de uma moeda viável e credível exige a criação de instituições apropriadas». Ele explica que as condições preliminares indispensáveis para uma tal operação são essencialmente uma convergência bem sucedida das políticas e os desempenhos macroeconómicos de todos os Estados-membros, para evitar que esta moeda se torne “numa moeda de macaco”.

“Se não houver coerência e convergência entre as diferentes políticas dos Estados, se as políticas monetárias e os desempenhos orçamentais não forem concedidos, esta moeda conseguirá viver por muito tempo”, acrescentou o economista burkinabe.

Assim, para se conseguir a criação de uma moeda única no espaço CEDEAO, ele propõe, entre outros, a mobilidade geográfica e setorial de fatores de produção no seio da zona em relação ao exterior, a intensificação das trocas entre os países-membros e a diversificação das produções.

Segundo Barro, os países-membros da CEDEAO devem assim trabalhar para manter a taxa de inflação abaixo ou igual a cinco porcento, o financiamento direto dos défices orçamentais pelos Bancos Centrais numa taxa inferior ou igual a 10 porcento, e reservas externas brutas superiores ou iguais a seis meses de cobertura das importações.

Barro, atualmente conselheiro especial do Presidente do Burkina-Faso, Blaise Compaoré, sustenta que, qualquer que seja o quadro de referência, o grau elevado de convergência das políticas e dos desempenhos macroeconómicos tornou-se na condição essencial para a realização de uma zona monetária máxima.

Uma avaliação rápida do exercício destas condições prévias permite ao economista burkinabe chegar a resultados pouco satisfatórios, “sendo os obstáculos desta integração específicos, porque essencialmente políticos”, citando entre esses obstáculos o medo de abandonar um instrumento precioso de soberania e entrar numa via de que não se tem a certeza de que a disciplina coletiva será cumprida e a rivalidade entre os dois blocos que constituem o espaço CEDEAO, designadamente, o dos países anglófonos (Gâmbia, Gana, Libéria, Nigéria e Serra Leoa) e o dos países francófonos (Benin, Burkina-Faso, Côte d'Ivoire, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Senegal e Togo).

Para o antigo governador do BCEAO, trata-se, portanto, de uma premissa essencial a este “casamento para o melhor e o pior”, sob pena de se correr o risco de chegar a contestações «destruidoras» e «fatais» para todo o processo de integração, podendo o divórcio causar graves sequelas.

Barro não deixa de denunciar «a atitude de alguns membros», que pode também provocar graves distorções em todos os países à semelhança destes «desencontros» que « se sucedem e se parecem» desde 1983.

Os de 1999, 2004, 2009, 2014 fazem perder 15 anos à solidariedade monetária oeste-africana que fixa um novo encontro para 2020.

-0- PANA  NDT/IS/CJB/IZ 24out2014

24 Outubro 2014 20:31:57




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