Objectivos do Milénio não realizáveis sem tecnologia, dizem peritos

Yaoundé- Camarões (PANA) -- Peritos participantes na Conferência das Academias de Ciências Africanas instaram os dirigentes do continente a priorizar a ciência e a tecnologia para que este possa atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).
Esta declaração foi feita terça-feira em prelúdio à abertura oficial, nesta quarta-feira em Yaoundé, da conferência internacional anual, de dois dias, da Iniciativa para o Desenvolvimento da Academia Africana de Ciências (ASADI, sigla em inglês).
"Não sei como África poderá realizar os ODM sem pôr a ciência e a tecnologia em primeiro plano no âmbito da sua agenda para o desenvolvimento, disse David Makawiti, da Academia queniana de ciências.
"Devemos inspirar-nos em países como a Índia, o Japão e a Malásia, que se desenvolveram graças à ciência", disse, sublinhando que se África foi primeira em matéria de sabedoria baseada na ciência no passado, a sua situação actual é lamentável.
O cientista queniano sublinhou a necessidade "de explorar os cérebros" dos numerosos cientistas africanos da Diáspora para o desenvolvimento do seus países de origem.
Todavia, toda a esperança não está perdida, pois a África do Sul progride consideravelmente no domínio da pesquisa local, sustentou Makawiti, acrescentando que "se pudermos igualmente explorar o pouco da pesquisa científica que se faz a nível das universidades, as coisas vão evoluir".
Na sua contribuição, Joseph Oko Gogo, coordenador regional para a África Ocidental do Conselho Ministerial Africano sobre a Ciência e Tecnologia, indicou que se devia igualmente avaliar as despesas dos países para com a ciência e tecnologia no quadro do Mecanismo Africano de Avaliação Paritária (MARP).
Segundo ele, pelo menos 1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país africano deve ser consagrado à ciência, priorizando domínios tais como a biodiversidade, a biotecnologia, o saber indígeno, a tecnologia da informação e comunicação, assim como a ciência e a tecnologia espaciais.
Por sua parte, Barney Cohen, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos insistiu na necessidade, para as academias africanas de ciências, de fazer da independência, da objectividade, da integridade, da verdade e da perícia, os seus valores principais na implementação dos seus programas.
A conferência decorre sob o lema: "Priorizar as políticas de segurança alimentar para a saúde e o desenvolvimento em África".

15 Novembro 2006 21:31:00


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