Obasanjo crê na capacidade de África de ultrapassar seus problemas

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- O Presidente Olusegun Obasanjo da Nigéria disse, domingo em Addis Abeba, que os países africanos podem levar a cabo a explosão demográfica, reformas fundiárias, a gestão das finanças e a etnicidade se o continente estiver unido na sua abordagem e determinado a resolver estes problemas.
Estes problemas estão entre os desafios críticos aos quais fazem face os países africanos, que aceitaram se submeter a uma auto-avaliação interna.
Obasanjo exortou os países africanos a juntar-se ao Novo Mecanismo Africano de Revisão Paritária (MAEP), um código de boa governação continental que visa melhorar o futuro do povo africano.
"Esta avaliação pelos pares não se propõe a encontrar culpados e falhas.
Não se trata dum fórum repressivo mas dum meio para os países se engajarem em partilhar as suas forças e fraquezas", declarou Obasanjo na abertura da mini-cimeira especial sobre o Mecanismo Africano de Avaliação Paritária da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD).
A distribuição das riquezas, os problemas do género e da gestão da etnicidade são questões importantes, disse o chefe de Estado nigeriano, acrescentando que estes problemas de ordem geral têm um impacto importante na qualidade da governação.
Os líderes reunidos antes da Oitava Cimeira Ordinária da União Africana para analisar os progressos realizados em matéria de boa governação desde a última Cimeira de Banjul sublinharam que os pontos fracos encontrados no quadro da avaliação dos Estados deverão ser compilados num catálogo, com vista a trazer melhorias.
O Presidente Obasanjo, que deve deixar as suas funções este ano, disse que a revista paritária realizada no Gana, no Quénia e no Ruanda mostraram que África pode superar os seus problemas.
Afirmou que o processo de avaliação revelou disparidades "flagrantes" em termos de distribuição das riquezas no Quénia e um problema de crescimento demográfico explosivo no Ruanda, que está igualmente confrontado com desafios ligados ao pluralismo político.
O MAEP é um processo iniciado pelos fundadores da NEPAD, entre os quais os Presidentes sul-africano, Thabo Mbeki, Abdoulaye Wade do Senegal, e Olusegun Obasanjo da Nigéria, para mostrar que África está determinada em realizar uma auto-avaliação interna com vista a criar confiança nos seus líderes.
O Ruanda foi o primeiro dos 25 países a assinar a auto-avaliação interna para passar o teste.
Obasanjo informou a mini-cimeira que o Ruanda aparecia como um líder em matéria de integração do género e a sua experiência seria benefíca a todos os outros membros.
O Ruanda, notou Obasanjo, carecia de meios para fazer face às reformas fundiárias, tendo o mesmo problema sido assinalado no Quénia e no Gana, que se confrontam igualmente com questões de género.
O Quénia enfrenta igualmente problemas de políticas étnicas.
Obasanjo exortou os 25 membros do MAEP a dar cada um 100 mil dólares americanos que aceitaram contribuir em Abuja, na Nigéria.
"É uma soma derisória para todos os países participantes", notou o Presidente nigeriano.

29 Janeiro 2007 11:15:00




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