ONU exorta dirigentes africanos a protegerem as crianças

Dakar- Senegal (PANA) -- O representante especial do secretário geral da ONU para as crianças nos conflitos armados, Olara Otunnu, lamentou que a África esteja atrasada em termos de execução dos princípios universalmente aceites em matéria de protecção das crianças, exortando os líderes africanos a corigirem este desequilíbrio.
Numa entrevista concedida à PANA, à margem da cimeira da Comunidade económica dos Estados da África ocidental (CEDEAO), em Dakar (Senegal), Otunnu fez saber que os governos africanos poderão resolver este problema se empreenderem programas continentais que impliquem os princípios universais relativos a protecção das crianças.
Congratulou-se pelo "bom exemplo" dado pela CEDEAO que compreende um órgão encarregue pela protecção da criança na sua principal estrutura organizacional.
Otunu, de nacionalidade ugandesa, mostrou-se sensibilizado com a proposta do presidente senegalês, Abdoulaye Wade, sobre uma cimeira unicamente consagrada aos problemas das crianças de África ocidental.
Segundo ele, Wade estimou que esta cimeira poderia facilmente levar a um acordo sobre a criação de mecanismos de avaliação pelos homólogos a fim de garantirem que os governos e organizações, no seio da região da CEDEAO, respeitem as convenções existentes sobre a protecção das crianças contra o seu engajamento nos conflitos armados.
Mas preveniu que a imensa tarefa da protecção das crianças não poderá ser bem sucedida sem a contribuição de todas as partes envolvidas, incluindo a sociedade civil.
Realçando o papel dos medias em revelarem e condenarem as sevícias infringidas às crianças, Otunnu anunciou a implementação, pela sua organização, de um plano que consiste em utilizar os profissionais dos medias no quadro do desenvolvimento de estratégias a favor dos projectos de sensibilização e reforço das capacidades locais ligadas às crianças.
Sublinhou que a crise ivoirense representa um outro grande desafio para as crianças da África ocidental, deplorando que este país, outroura pacífico e exemplar do ponto de vista da sua prosperidade e solidariedade em África, esteja agora apassar por agitações, em que as crianças estão na primeira linha de frente.
"Enquanto as crianças das outras regiões do mundo estudam para serem quadros competentes no século 21, há demasiadas crianças da África nos campos de batalha, onde aprendem a matar e matar-se umas as outras", denunciou Otunnu.
Para ele, nenhum esforço deve ser poupado para se preservar a unidade e a paz neste país, a fim de se garantir a protecção das crianças e impedir-se o seu engajameno neste conflito.

02 Fevereiro 2003 19:34:00




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