ONU condena tentativa de "golpe de Estado" em São Tomé e Príncipe

São Tomé, São Tomé e Príncipe  (PANA) - As Nações Unidas condenaram a "tentativa de subversão da ordem constitucional" em São Tomé e Príncipe, recentemente denunciada pelas autoridades governamentais do arquipélago, num ato em que estariam envolvidos cinco suspeitos dos quais dois nacionais e três de nacionalidade espanhola.

“Estamos cá em nome das Nações Unidas para dizer firmemente que o acesso ao poder deve ser feito através das urnas", declarou o representante especial do Secretário-Geral da ONU para a África Central, François Lounceny Fall, que se encontra na capital são-tomense em visita de trabalho de manutenção da paz na região.

Segundo ele, a ONU e as demais organizações internacionais "não aceitam nenhum tipo de violência como meio politico. Queremos uma eleição democrática e aberta. A campanha vai começar, apelamos a todo o mundo para se limitar ao cumprimento estrito da Constituição".

Lounceny Fall  falava no final de um encontro que manteve, sexta-feira, em São Tomé, com o primeiro-ministro Patrice Trovoada.
  
O representante especial de António Guterres, Secretário-Geral da ONU, considera que "o exemplo da democracia de São Tomé e Príncipe é singular”.

Indicou que as Nações Unidas estão preocupadas com os últimos acontecimentos  registados em SãoTomé que visavam "desestabilizar a ordem democrática que todos saudamos".

Prometeu que a ONU enviará vários observadores internacionais para garantir a transparência das eleições gerais de 7 de outubro próximo, no país, onde cerca de 90 mil eleitores serão chamados às urnas para escolher um novo Parlamento e assembleias distritais e regionais.

Também a União Europeia (UE), através da Embaixada de Portugal em São Tomé e Príncipe, condenou a "tentativa de golpe de Estado".

Os cinco suspeitos estão em prisão preventiva desde início deste mês, em São Tomé e Príncipe, pela  presumível tentativa de subversão da ordem constitucional no país.

Segundo o Governo são-tomense, os cinco indivíduos prepararam um "ato terrorista" que visava o sequestro do Presidente da República, Evaristo Carvalho, e do presidente da Assembleia Nacional (Parlamento), José da Graça Diogo, bem como "a eliminação física do primeiro-ministro Patrice Trovoada".

O Governo são-tomense indica que os suspeitos "atuavam no país como mercenários" e tinham na sua posse "material bélico, facas de mato, granadas, binóculos e óculos de visão noturna e uniformes estrangeiros com distintivos nacionais".

Os cinco arguidos estão a ser defendidos por quatro advogados que não quiseram identificar-se, mas um deles estava ao serviço do Consulado de Espanha na capital são-tomense.

Albertino Fernandes, antigo ministro da Juventude e Desportos no Governo de coligação liderado por Gabriel Costa, em 2013, e um antigo operativo do extinto Batalhão Búfalo da Africa do Sul são os dois cidadãos são-tomenses que fazem parte do grupo de suspeitos.

As identidades dos três cidadãos espanhóis não foram divulgadas, mas sabe-se que o Batalhão Búfalo, também conhecido como Batalhão 32 do Exército da África do Sul, era formado por mercenários que durante o regime do apartheid lutou em Angola ao lado das forças armadas invasoras sul-africanas contra as tropas governamentais angolanas.

Para gerir o caso, o Governo são-tomense diz ter acionado os mecanismos internacionais de entreajuda com países amigos e com a Interpol que "responderam prontamente na assistência à Procuradoria Geral da República e à Polícia Judiciária".

Esta é a segunda "tentativa de subversão da ordem constitucional" anunciada pelo Governo em menos de dois meses, em São Tomé e Príncipe, depois da denunciada a 21 junho passado.

Na altura, o Governo anunciou a detenção do deputado do MLSTP-PSD (principal oposição) e ex-ministro da Agricultura, Gaudêncio Costa, e o sargento Ajax Managem, das Forças Armadas, por "tentativa de subversão da ordem constitucional".

Também acusados de tentarem eliminar fisicamente o primeiro-ministro Patrice Trovoada, estes foram mais tarde postos em liberdade sob TIR pelo juiz de instrução criminal, que alegou "falta de provas" para manter os dois acusados em prisão preventiva.

Na sequência do último episódio, foi demitido das suas funções o comandante da Guarda Presidencial, enquanto a Polícia Judiciária exibiu vários materiais de guerra e disse ter encontrado "uma enorme quantia" em dinheiro na conta pessoal de Albertino Fernandes.

-0- PANA RMG 18agosto2018

18 Agosto 2018 10:56:21


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