ONU, UA e Governo sudanês debatem questão de Darfur

Nova Iorque- Estados Unidos (PANA) -- As Nações Unidas, a União Africana (UA) e o Governo sudanês decidiram reunir-se de 11 a 12 de Junho corrente em Cartum para debater o envio de cerca de 23 mil soldados da paz para a província de Darfur, no oeste do Sudão, anunciou em Nova Iorque a porta-voz adjunta do Secretário-Geral da ONU, Marie Okabe.
Estas negociações deverão permitir "resolver" as questões do acordo final e a logística a implementar para as operações da força híbrida ONU/UA, aprovada em Maio último pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, indicou Okabe em entrevista à PANA em Nova Iorque.
Precisou que esta reunião visa encontrar uma solução para este conflito de quatro anos e ocupar-se da crise humanitária prevalecente na província ocidental sudanesa de Darfur.
A porta-voz do Secretário-Geral da ONU anunciou, por outro lado, a determinação das Nações Unidas e da UA em "proceder rapidamente ao envio da força de manutenção da paz para esta região, uma vez que o Sudão dará o seu acordo final".
O Conselho de Segurança será informado sobre as conclusões da reunião de dois dias antes da partida da sua missão na próxima semana, disse.
A ONU e a UA concluíram quarta-feira um acordo provisório sobre o envio duma força de 23 mil elementos depois de resolver a questão do comando da operação que envolve as Nações Unidas e a União Africana devido à oposição do Sudão ao desdobramento duma força controlada pelas Nações Unidas.
Porém, várias preocupações subsistem quanto ao risco de ver o Sudão arrastar os pés e, neste sentido, atrasar o desdobramento, ao passo que os Estados Unidos e a Grã Bretanha exerceram pressão para a imposição de sanções suplementares ao sudão.
Em Maio último, a ONU e a UA nomearam o general Martin Agwai para o posto de comandante-em-chefe da força conjunta de Darfur.
A força conjunta baseia-se em duas opções, sendo uma com 19 mil elementos, repartidos em 18 batalhões de infantaria, e a segunda integrada por 17 mil 605 elementos com 15 batalhões de infantaria.
Está igualmente prevista uma força da Polícia de três mil 771 oficiais e dois mil 500 agentes, encarregues de garantir a segurança nos campos de refugiados bem como alguns agentes de apoio civil.
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, já entregou uma cópia do relatório conjunto ao embaixador do Sudão nas Nações Unidas, Abdalmahmood Abdalhaleem, para aprovação pelo seu Governo.
A nova missão representará a etapa final dum processo de três fases no termo do qual as Nações Unidas apoiarão e reforçarão a Missão Africana de Manutenção da Paz no Sudão (AMIS) que sofre dum défice de recursos.
Os elementos da força híbrida serão, maioritariamente, africanos.
A força estará igualmente encarregue de controlar o respeito do Acordo de Paz sobre Darfur, assinado em Maio de 2006, pelo Governo e por um grupo rebelde, mas que ainda não foi aplicado.
As tropas estarão igualmente encarregues de controlar a fronteira entre o Sudão, o Tchad e a República Centro-Africana para a qual afluíram vários refugiados.
No quadro da primeira fase conhecida como "Pacoto de Apoio Ligeiro", as Nações Unidas ofereceram à AMIS um apoio sob forma de produtos e materiais médicos nomeadamente uma ambulância inteiramente equipada e produtos farmacêuticos incluindo medicamentos e vacinas.
A ONU e a UA intensificaram os seus esforços de manutenção da paz durante o ano passado diante de preocupações cada vez mais vivas da comunidade internacional pela situação prevalecente no interior de Darfur onde mais de 200 mil pessoas foram mortas e pelo menos dois milhões de outras deslocadas desde 2003.

11 Junho 2007 14:58:00




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